Ministro brasileiro se reunirá com representante dos EUA após ligação de Lula e Trump
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que se reunirá na próxima semana com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, para discutir o tarifaço aplicado pelos americanos sobre produtos do Brasil.
De acordo com o ministro, após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na manhã desta sexta-feira, Greer entrou em contato para buscar uma agenda com o brasileiro. — O embaixador Greer fez contato ao término da ligação, dizendo que após a conversa dos dois presidentes ele gostaria de marcar uma reunião — disse o ministro ao GLOBO.
Segundo Elias Rosa, ficou acertado que eles buscarão uma agenda na próxima semana, por videoconferência, para restabelecer as negociações. — Vejo isso como um bom sinal porque precisávamos, de fato, retomar as negociações, era isso o que o Brasil sempre buscou, trazer ele de volta à mesa— diz o ministro.
Lula e Trump se falaram na manhã desta sexta numa conversa de mais de uma hora de duração e com tom “cordial”.
Na ligação, falaram sobre as taxas aplicadas pelo país americano.
Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) “são infundadas”.
Leia também Lula liga para Trump, contesta tarifaço e acerta retomada de negociações com os EUA Presidentes conversaram por 1h20 sobre comércio, crime organizado e guerras; equipes dos dois países deverão voltar à mesa de negociação Trump permitirá importação de carne moída “sem tarifa fora da cota” Trump permitirá importação de carne moída “sem tarifa fora da cota” O governo brasileiro tem defendido essa linha nas mesas de negociação desde o começo desse processo.
A avaliação é que essas medidas têm teor político, e aliados do presidente da República têm denunciado a atuação de adversários políticos, como Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, para provocar essa taxação.
Na semana passada, o governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país.
O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que atinge também outras nações.
As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora.
A avaliação do entorno petista, no entanto, é que esse processo não avance neste ano.
Eles defendem cautela para não tomar decisões precipitadas.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA a parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país começou a valer no dia 22 de julho.
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