Do laboratório aos testes em humanos: Brasil avança com tecnologia de RNA mensageiro
Cinco anos depois de as vacinas de RNA mensageiro ganharem escala durante a pandemia de Covid-19, uma plataforma desenvolvida no Brasil está prestes a chegar aos primeiros testes em humanos.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar o estudo clínico de uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país.
O avanço vai além desse imunizante: será a primeira vez que a plataforma construída pela instituição será testada em pessoas, um passo que poderá abrir caminho para novas vacinas e terapias desenvolvidas a partir da mesma base.
O movimento ocorre em um momento em que o Brasil amplia os investimentos nessa tecnologia.
O governo destinou R$ 210 milhões ao desenvolvimento de plataformas de RNA mensageiro no país, com projetos na Fiocruz, no Instituto Butantan e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) voltados à pesquisa, infraestrutura e produção.
Os recursos fazem parte da estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), que busca ampliar a capacidade nacional de desenvolver e produzir tecnologias estratégicas para o SUS.
O RNA mensageiro funciona como uma instrução temporária entregue às células para que produzam determinada proteína.
A plataforma reúne a base tecnológica necessária para produzir o RNA e fazer essa instrução chegar às células e pode ser reaproveitada para diferentes produtos.
Em vez de desenvolver toda a tecnologia novamente para cada doença, parte dessa estrutura é mantida e a sequência de RNA pode ser modificada de acordo com o alvo, da Covid-19 à tuberculose ou ao câncer.
Na Fiocruz, as pesquisas com RNA mensageiro tiveram início entre 2017 e 2018, inicialmente voltadas ao tratamento de tumores, e ganharam impulso com a Covid-19.
Nos últimos cinco anos, a instituição avançou da pesquisa em laboratório à estruturação da produção e aos estudos pré-clínicos necessários para chegar aos primeiros testes em pessoas.
É justamente essa passagem que pesquisadores como Patrícia Neves, biomédica e líder do projeto de RNA de Bio-Manguinhos/Fiocruz, chamam de “Vale da Morte” da biotecnologia.
“É você tirar uma pesquisa da bancada e chegar efetivamente aos estudos clínicos e ao uso em humanos”, diz.
A pesquisadora Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência em Terapias e Vacinas com RNA, da Universidade Federal de Minas Gerais, que também desenvolve pesquisas na área, considera que o país vive uma “janela de oportunidade” para avançar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.