Saúde mental de profissionais da oncologia demanda mais ações práticas e capacitação
Profissionais da saúde costumam ser vistos como heróis capazes de tratar doenças e restaurar a saúde de seus pacientes.
Mas essa percepção nem sempre leva em consideração a sobrecarga emocional e adoecimento mental que acomete muitos desses profissionais que atuam na linha de frente.
Na oncologia, por exemplo, estudos já demonstram esse cenário.
Embora o debate acerca do tema esteja aumentando, especialistas apontam que ainda faltam medidas concretas e recursos para apoiar esses profissionais dentro das instituições de saúde.
Em 2023, pesquisadores da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) decidiram ouvir médicos da especialidade sobre a autopercepção de bem-estar e comparar os resultados com dados de um levantamento realizado na década anterior.
Os indicadores demonstram uma piora significativa: a proporção de respondentes que relataram sintomas de burnout aumentou de 45%, em 2013, para 59%, em 2023.
Os indicadores preocupam ainda mais em um cenário em que o câncer caminha para se tornar a principal causa de óbito por doença no mundo.
“O profissional de saúde ainda não sai da faculdade preparado para lidar com situações adversas, como a finitude da vida.
A formação ainda é muito focada na cura, no sucesso do tratamento”, destaca Denise Tiemi, médica da Gerência de Bem-Estar e Saúde Mental do Einstein.
“Temos que lidar com a exaustão emocional, que acaba levando à queda de desempenho e, consequentemente, ao afastamento, ao absenteísmo”.
Segundo Tiemi, a saúde mental sofre ainda mais no contexto específico da oncologia porque a especialidade traz particularidades como o contato constante com o luto e limitações que, muitas vezes, se traduzem no sentimento de impotência.
A alta taxa de cansaço mental encontrada entre profissionais desse campo – até 45%, segundo alguns estudos – levanta demandas que precisam ser levadas em consideração.
Na visão de Caio Vianna, psicólogo presidente da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO), esse desgaste maior se dá pela própria natureza da doença e do seu tratamento, que pode durar meses ou, em alguns casos, anos.
Para ele, isso favorece a criação de um vínculo mais profundo com o paciente, com a família ou o cuidador, o que deixa a vulnerabilidade psicológica mais em evidência.
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