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O racismo adoece adolescentes

Metrópoles ·
O racismo adoece adolescentes

“O racismo afeta a gente de um modo que os outros não podem entender.

Eles não pensam que uma hora a gente não aguenta mais e se isola, tem problemas psicológicos, que tem gente que já se suicidou justamente por causa do preconceito”.

O depoimento é de uma estudante gaúcha, mas ecoa por todo país.

Em casa ou na escola, a discriminação racial interfere na construção da identidade e ameaça a saúde mental de adolescentes negros.

Dois estudos ajudam a compreender essa realidade com olhares complementares.

O primeiro, “Racismos: Implicações na saúde mental de adolescentes” , foi publicado na Physis: Revista de Saúde Coletiva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e examina as diferentes dimensões do racismo e seus efeitos sobre a saúde mental.

O segundo, “Adolescência negra: uma etnografia sobre os efeitos do racismo na saúde mental infantojuvenil” , publicado na Revista Desidades, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), parte de uma pesquisa qualitativa realizada com adolescentes em uma escola pública do Rio Grande do Sul.

O primeiro estudo afirma que é na adolescência que o jovem negro passa a perceber a discriminação de maneira mais nítida.

Trata-se de uma fase de “exposição ao estigma da raça e às iniquidades causadas e sentidas literalmente na pele” e a produção de “sentimento de inadequação e de não pertencimento”.

Cabelo, pele, nariz passam a ser avaliados segundo os padrões da branquitude.

A violência agride o íntimo e a forma que o adolescente enxerga a si mesmo.

O racismo é um “estressor crônico que compromete as defesas emocionais do sujeito”, e está associado a depressão, ansiedade, síndrome do pânico, autodepreciação, isolamento e problemas relacionados ao sono.

Uma das participantes gaúchas relatou que chegava a ficar “de cama, com febre e tudo”por causa das dores provocadas pelo racismo.

O corpo expressa o que a sociedade não vê como sofrimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.

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