ONG acusa Facebook e TikTok de ajudar a recrutar crianças para guerrilhas
A Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta segunda-feira (24) que Facebook e TikTok falham em detectar, remover e impedir a disseminação de conteúdos usados por grupos armados colombianos para recrutar menores de idade. Segundo a organização, os algoritmos das duas plataformas chegam a promover essas publicações.
Ao menos 1,5 mil menores foram recrutados por grupos armados na Colômbia desde 2021, aponta o relatório. Parte desse recrutamento ocorreu por meio de publicações que glorificavam a vida armada e ofereciam falsas oportunidades de trabalho nas redes sociais.
Crianças e adolescentes são usados pelos grupos armados sobretudo para combate, coleta de informações e operação de drones, segundo a HRW. Em alguns casos, menores sem treinamento militar servem como carne de canhão nos confrontos.
Quase metade das vítimas desse crime, classificado como crime de guerra, é indígena, população que representa cerca de 4% dos colombianos. As meninas correspondem a 40% dos casos e estão particularmente expostas à violência sexual, de acordo com o levantamento.
Nas publicações identificadas pela ONG, integrantes de grupos armados aparecem exibindo maços de dinheiro e joias ou em acampamentos de treinamento, muitas vezes ao som de narcocorridos , gênero musical mexicano que faz apologia ao crime organizado.
Comentários de usuários questionando como ingressar em organizações como o Clan del Golfo, o ELN e dissidências das Farc também foram encontrados sob esses conteúdos.
As dissidências da extinta guerrilha das Farc, que rejeitaram o acordo de paz de 2016, respondem por 74% dos casos de recrutamento infantil documentados entre 2021 e 2025, segundo a HRW.
A HRW afirmou ter notificado a Meta, dona do Facebook, e a ByteDance, controladora do TikTok, sobre o problema. As duas empresas confirmaram a remoção dos conteúdos específicos apontados pela organização.
Em nota citada no relatório, a Meta disse buscar constantemente aprimorar sua estratégia de combate ao recrutamento de menores em suas plataformas. Já a ByteDance declarou impedir de forma proativa que grupos armados ilegais e organizações criminosas usem o TikTok para recrutar ou explorar menores.
O acordo de paz de 2016 encerrou meio século de guerra entre o governo colombiano e as Farc, mas grupos armados dissidentes continuam controlando áreas remotas do nordeste e do sul do país. Segundo a HRW, o uso das redes sociais contribuiu para o aumento do recrutamento infantil nos últimos anos, mesmo após o desarmamento da maior parte da guerrilha original.
Abelardo de la Espriella, presidente colombiano há menos de um mês, prometeu intensificar o combate aos grupos armados e planeja firmar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel.
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