86% apoiam uso de IA no combate à violência, diz pesquisa
Os resultados aparecem em um cenário no qual a violência ocupa o primeiro lugar entre os problemas citados pela população. Questionados sobre a principal questão enfrentada atualmente pelo Brasil, 28% apontaram a violência, seguida pela corrupção, com 22%, economia, com 19%, e saúde, com 15%. A preocupação é ainda maior entre os entrevistados identificados como lulistas, grupo no qual chega a 37%, e bolsonaristas, com 30%.
A percepção sobre a evolução da violência ajuda a dimensionar essa preocupação. Para 70% dos brasileiros, ela aumentou muito nos últimos dois anos. Outros 9% entendem que houve algum crescimento, enquanto 15% consideram que a situação permaneceu igual. Entre aqueles que percebem uma piora, 73% atribuem a avaliação simultaneamente ao aumento do número de crimes e ao fato de eles terem se tornado mais violentos.
Para Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, os resultados mostram que a preocupação com a segurança vem acompanhada de uma disposição para considerar novas ferramentas de enfrentamento à violência.
"A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções, e demonstra a abertura dos brasileiros ao uso de tecnologia na segurança."
Quando a pesquisa deixa a discussão genérica sobre tecnologia e apresenta situações concretas para o uso de câmeras associadas à inteligência artificial, os percentuais de entrevistados que acreditam que a ferramenta pode ajudar permanecem acima de 90% em todas as atividades avaliadas.
O maior índice aparece no patrulhamento e na prevenção de crimes, com 96%. Para 95%, a tecnologia pode auxiliar tanto no combate a roubos e furtos quanto a crimes violentos. O mesmo percentual vê utilidade na recuperação de bens roubados, como carros e celulares, e na busca por pessoas desaparecidas.
A identificação e abordagem de suspeitos e a captura de foragidos da Justiça aparecem com 94%, assim como o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher.
Já 93% consideram que as câmeras associadas à IA podem contribuir para investigar e esclarecer crimes e melhorar a velocidade de resposta e atendimento da polícia. O combate às facções criminosas, o atendimento e a proteção às vítimas de crimes e a proteção das fronteiras aparecem com 92%.
Para David Peixoto, cofundador e CEO da Pax, a tecnologia deve ser compreendida como instrumento complementar à atuação das forças de segurança.
"Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país - e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar."
A abertura para novas ferramentas não significa que os entrevistados concentrem na tecnologia a resposta para a violência. Quando questionados sobre diferentes formas de melhorar a segurança pública, 93% consideram efetivo oferecer melhor educação e mais oportunidades aos jovens.
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