Mercado de trabalho não indica recessão a caminho no Brasil apesar de perda de força, diz estudo
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O mercado de trabalho tem perdido ritmo, mas por ora não mostra indicativo de que a economia caminha para uma recessão no país, conforme estudo do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.
A Folha teve acesso com exclusividade à análise, que adapta a regra de Sahm , criada nos Estados Unidos , à realidade brasileira. Essa métrica carrega o sobrenome da economista Claudia Sahm, ex-Fed (Federal Reserve, o banco central americano).
Nos Estados Unidos, a regra pode indicar uma recessão quando a média móvel de três meses da taxa de desemprego fica 0,5 ponto percentual ou mais acima do menor nível observado nos 12 meses anteriores .
A análise de Imaizumi trabalha com um limiar menor para o Brasil, de 0,3 ponto percentual, que teria uma capacidade maior de identificar os episódios recessivos do país com menor defasagem.
Essa escolha segue recomendação de uma publicação recente do Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades), da USP (Universidade de São Paulo), sobre o assunto.
A adaptação, segundo Imaizumi, é necessária devido às características do mercado de trabalho nacional, que conta, por exemplo, com uma informalidade maior do que o americano.
Conforme a análise do economista, a diferença medida pela regra estava negativa até fevereiro e caminhou em direção ao limiar de 0,3 ponto percentual nos meses seguintes.
O valor, contudo, ficou relativamente estável nos dois últimos meses analisados, passando de 0,13 p.p. em junho para 0,12 p.p. em julho.
"O mercado de trabalho está em desaceleração, mas segue ainda resiliente, ainda forte", afirma Imaizumi.
A série histórica construída pelo economista reúne dados dessazonalizados desde o final de 1995, calculados a partir de pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
"O mercado de trabalho aqui reage com certa defasagem, e não necessariamente a gente vai ver uma mudança por meio dessa regra. O mercado de trabalho do Brasil é menos formal do que o dos Estados Unidos", pondera Imaizumi.
"Às vezes, em uma recessão, a gente pode ver uma migração de vagas formais para informais, e não um aumento abrupto da taxa de desocupação", acrescenta.
Não há uma definição oficial sobre o que caracteriza uma recessão. Embora alguns economistas utilizem a métrica de que esse é o período marcado por dois trimestres seguidos de queda no PIB (Produto Interno Bruto), a maior parte dos institutos faz uma análise mais ampla de dados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.