O cemitério de obras
Viaduto inacabado no interior de Minas Em Bom Jardim, no interior do Maranhão, existe uma creche que nunca ouviu uma criança chorar.
Custou R$ 1,8 milhão e parou quando 16% da obra estavam prontos.
Em Roca Sales, no Rio Grande do Sul, uma escola parou com 9%.
Imagino as mães dessas duas cidades passando em frente ao terreno todos os dias, a caminho do trabalho, vendo o mato crescer onde deveria haver recreio.
Não é uma imagem rara.
O levantamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) divulgado em janeiro de 2025 contou 3.784 obras de educação paralisadas ou inacabadas no país e estimou em 632 mil as crianças sem vaga por causa delas.
E há um detalhe que essas mães não sabem.
Para o Estado brasileiro, a creche vazia é patrimônio.
Vou explicar como cheguei a essa frase, porque ela parece exagero e não é.
O Tribunal de Contas da União conta as obras paradas desde 2019.
Naquele ano, o Acórdão 1.079, do ministro Vital do Rêgo, encontrou 38.412 contratos de obras com dinheiro federal.
Desses, 14.403 estavam parados.
Uma em cada três.
Em abril de 2025, o painel do tribunal contou 22.621 obras e 11.469 paradas.
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