Condenado por homicídio diz à PF que se reunia com governador do MA
Gilbson Júnior também acusou sobrinho de Carlos Brandão de participar de “emboscada” ligada ao crime
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em depoimento à Polícia Federal (PF), Gilbson Júnior , condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de João Bosco Sobrinho em São Luís, no Maranhão, afirmou que o crime ocorreu por meio de uma “emboscada” que contou com a participação direta do presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão , sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB, foto).
Segundo Gilbson, ele frequentava o Palácio dos Leões, sede do governo estadual, para se reunir com Carlos Brandão e Daniel Brandão.
“Eu tinha uma vaga [de garagem] no Palácio dos Leões. Eu chegava, entrava, a vaga número 6”, disse.
No depoimento, prestado em 24 de junho do ano passado, Gilbson afirmou ainda que um desembargador teria feito um pagamento para que ele permanecesse em silêncio. O caso chegou ao STF em outubro do ano passado, e o ministro Flávio Dino foi sorteado para ser o relator.
Gilbson Júnior foi condenado por matar um homem em um centro comercial de São Luís, em agosto de 2022. Segundo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de que o homicídio esteja relacionado à divisão de propinas no estado .
Na segunda, 17, Dino decidiu afastar, por 180 dias, Daniel Brandão do cargo de presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).
Na última semana, a PF identificou o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), como “provável líder” de uma organização criminosa que tentaria encobrir os responsáveis por esse homicídio.
De acordo com a PF, o homicídio teria ocorrido no contexto de um esquema envolvendo o pagamento de valores indevidos com recursos públicos .
A investigação sustenta que Gilbson César Soares Cutrim Júnior, posteriormente condenado pelo assassinato, exerceria uma função operacional no esquema e manteria interlocução direta com Daniel Brandão e com o próprio governador Carlos Brandão.
Na decisão desta segunda-feira, Dino também proíbe Daniel Brandão de ter acesso aos sistemas do Tribunal de Contas, frequentar eventos públicos como integrante da Corte, usar bens e serviços cedidos pelo Tribunal e mantar contato com Carlos Brandão, entre outros investigados pela PF nesse caso.
“As investigações trazem sérios elementos de prova de que, desde o momento do crime até os dias atuais, o grupo investigado tem lançado mão de todas as ações ao seu alcance para blindar a identificação de Daniel Brandão em tal investigação” , afirmou Dino na decisão.
Segundo os investigadores, uma estrutura de operadores e intermediários teria passado a trabalhar para preservar os integrantes mais importantes e dificultar sua vinculação aos crimes investigados pela Polícia Federal.
O caso chegou às mãos de Dino após passar pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e depois de menções ao senador Weverton Rocha (PDT), que teria atuado para tentar encobrir o caso.
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