Recuo na inflação é pontual, mas preços entraram em fase de menor pressão
Nos números apurados pelo IBGE e divulgados nesta quarta-feira (26), o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), a chamada prévia da inflação, registrou em agosto deflação de 0,4%. O recuo foi maior do que o projetado pelos analistas, que esperavam queda de 0,3%.
Observada em perspectiva mais longa, a inflação está em momento de alívio. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 recuou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto, também abaixo do teto do intervalo de tolerância do sistema de metas.
A partir de setembro, a inflação acumulada em 12 meses retomará um caminho moderado de alta rumo ao teto da meta. Vai se firmando um consenso em torno de uma elevação de 5% em 2026.
Essa prevista trajetória reflete a dissipação dos choques do petróleo, com origem na guerra no Oriente Médio, a partir de março, a contenção nas altas da cotação do dólar, o bom comportamento sazonal na oferta de alimentos e, de um modo geral, uma tendência de freio na atividade econômica.
Tal quadro tem levado economistas a convergir para a expectativa de que o ciclo de cortes nas taxas básicas de juros (taxa Selic), atualmente em 14% ao ano, continuará além de um último, em setembro, de 0,25 ponto percentual, fechando 2026 a 13,75%.
Embora o fecho do ano com Selic a 13,75% ainda seja o prognóstico exibido pelo Boletim Focus, que reúne as previsões do mercado financeiro, depois do IPCA-15 de agosto, analistas têm avançado na expectativa de outras reduções de 0,25 ponto em novembro e dezembro, com a Selic, assim, podendo encerrar o ano a 13,25%.
A intensidade da deflação em agosto teve como responsáveis o corte de preços de itens voláteis — passagens aéreas, por exemplo —, queda nos preços dos combustíveis, também beneficiados por subsídios, recuos sazonais em alimentos e, principalmente, a influência de um evento pontual, no setor de eletricidade, o pagamento a consumidores de bônus da hidrelétrica de Itaipu. Sem o bônus de Itaipu, o IPCA-15 de agosto ainda registraria deflação, mas menos intensa, de 0,1%.
Os preços no setor de serviços também estão moderando, mas devagar. Mostram o efeito de um período prolongado de juros altos, promovendo contenção da atividade, "boicotado" pelos programas de injeção de recursos e de facilidades de crédito na economia. Tudo limitado por um ambiente de endividamento e inadimplência recordes.
O índice geral de serviços, muito influenciado por passagens aéreas, recuou em agosto, depois de ter retrocedido em julho. A alta no mês foi de 5,5%, depois de subir 5,9% no mês passado. O pico do ano foi de 6,25%, em junho. Mesmo com os recuos, a inflação em serviços — setor mais afetado por atividade e renda — ainda está acima da alta do índice geral e dos núcleos de inflação — medidas mais estruturais de pressões inflacionárias.
Em resumo, a inflação entrou em uma fase mais benigna, decorrente dos efeitos contracionistas dos juros altos sobre a demanda, mas ainda com pressões em segmentos menos sensíveis à política monetária.
Para a frente e, sobretudo, para o último trimestre, as pressões sobre a inflação virão de alimentos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.