Novo ciclo de alta está surgindo no setor imobiliário dos EUA
“O mercado está começando agora em um novo ciclo de alta para o setor imobiliário”, afirmou o presidente e cofundador da Drake Real Estate Partners, Nicolas Ibanez.
O executivo acredita que o momento do mercado imobiliário é único em sua estrutura, uma vez que o segmento atravessa uma transição mais intensa após enfrentar a rápida e expressiva elevação das taxas pelo Federal Reserve, ocorrida principalmente em 2023.
Em entrevista conduzida por Lucas Collazo no podcast Stock Pickers , Ibanez pontua que o encarecimento do crédito interrompeu um longo período de juros baixos e liquidez abundante, afetando empreendimentos em andamento.
Ele ressalta que a dinâmica atual pode ser ruim para alguns investidores, ao se considerar o estágio de seus projetos ou em determinados segmentos dentro do setor imobiliário.
“Mas também é incrivelmente positivo para pessoas que estão bem capitalizadas e para fundos que estão começando a alocar capital neste novo ambiente”, explicou.
Leia também: Sem futurologia: projeções longas perdem espaço no mercado com avanço da tecnologia Ibanez frisa que o mercado imobiliário dos Estados Unidos movimenta cerca de US$ 20 trilhões, mas ainda é caracterizado por ser fragmentado e pouco sofisticado na operação local, o que transforma essa classe de ativos em um “paraíso dos stock pickers”.
Cenário dos segmentos O gestor ressalta que o aumento dos juros provocou um reajuste de preços que fez o valor de mercado dos imóveis nos Estados Unidos recuar cerca de 20% no agregado, acumulando agora uma leve recuperação entre 3% e 5%.
“O que estamos vendo hoje é que os fundamentos do setor imobiliário — ou seja, a capacidade do imóvel de gerar fluxo de caixa, a capacidade do imóvel de produzir uma proteção contra a inflação — no geral, foram mantidos”, disse o executivo.
Ibanez pontua que o vetor estrutural mais relevante para os próximos anos está na reindustrialização dos EUA e no processo de repatriação da manufatura.
Segundo o executivo, essa movimentação impulsiona diretamente a demanda por galpões logísticos e armazéns alugados para comércio eletrônico, varejo e instalações fabris.
Em contrapartida, ele acredita que o segmento de escritórios enfrenta um cenário de pressão estrutural.
Leia mais: “Em crise é que se dá a grande virada na vida”, diz gestor da Armor Capital “Escritórios têm sido, em sua maioria, um setor caindo em desuso para investimentos.
Por muitos anos, principalmente quando os americanos entenderam e adotaram os ambientes de trabalho flexíveis, o que foi exacerbado pela Covid-19, e isso [os escritórios] nunca mais voltou totalmente”, analisou.
Já quando se trata de mercado residencial, a alta das taxas de hipoteca agravou fortemente a crise de acessibilidade financeira na compra da casa própria nos EUA.
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