Quando a crise do STF tumultua a eleição, quem protege a democracia?
Todas as suspeitas levantadas contra os ministros do STF no bojo das investigações sobre o caso Master e as fraudes financeiras atribuídas a Daniel Vorcaro precisam ser apuradas. Contudo, entre todos os possíveis crimes cometidos por membros da mais alta corte da Justiça do Brasil, o mais grave é, sem dúvida, a tentativa de interferir no processo eleitoral deste ano.
É grave o STF, que tem a função de proteger a Constituição, agir contra um dos princípios fundamentais do Estado Democrático, que é o direito ao voto livre, sem interferência ou pressões de nenhum tipo.
Na tumultuada sessão da última terça-feira (15), a ministra Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros pelo fato de o STF não trazer a tranquilidade necessária aos eleitores neste momento.
O eleitor deveria estar concentrado em ouvir propostas, debater projetos para o país e decidir, de livre consciência, aqueles que representarão seus direitos e interesses.
O STF exerceu uma função fundamental nas últimas eleições. Foi a Corte, articulada com a Justiça Eleitoral, que atuou quando o processo democrático foi deslegitimado com falsas acusações, combateu a desinformação e o abuso do poder econômico e, principalmente, quando um esquema foi orquestrado por autoridades militares e políticas para desrespeitar a decisão das urnas.
Mas isso não permite ignorar desvios. Como disse o ministro Flávio Dino na mesma sessão: "A corrupção não justifica um combate corrupto à corrupção".
Também não podemos considerar justa a equivalência entre aqueles que porventura tenham negociado troca de favores com o ex-banqueiro e com quem teria utilizado do seu lugar no STF para interferir na disputa eleitoral.
Se confirmadas as denúncias contra o ministro André Mendonça, feitas pelos próprios colegas de tribunal, de abuso de poder e seletividade na divulgação de informações com finalidade política, essa será a mais terrível das ingerências do STF na democracia.
A interferência na Polícia Federal, com o pedido de afastamento do diretor-geral, também lança dúvidas sobre a instituição e descredibiliza operações e relatórios que beneficiaram processos conduzidos por Mendonça e demais ministros.
Não é justo tornar públicas suspeitas contra nomes próximos ao presidente Lula - seu filho Fabio Luís e o senador Jaques Wagner -, e preservar o sigilo de graves denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro, investigado pela Polícia Federal, desde julho de 2026, em um inquérito do STF por suspeita de práticas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no processo de financiamento do filme Dark Horse.
André Mendonça, o mesmo que tornou públicas, às vésperas do feriado de 7 de setembro, as suspeitas de relação entre Moraes e Vorcaro, preservou informações do inquérito no qual Flávio Bolsonaro é alvo, só revelando após pedido formal do presidente da Corte, Edson Fachin.
O inquérito foi aberto depois que vieram a público mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. Áudios e mensagens revelaram também encontros entre os dois.
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