Racha familiar: irmãos Trad mudam de partido para apoiar Lula e Flávio
Em Mato Grosso do Sul, os irmãos Fábio, Marquinhos e Nelson Trad Filho trilham caminhos opostos em busca de vitória nas eleições, após anos juntos em uma das famílias políticas mais tradicionais do estado.
Fábio Trad (PT) disputa o Governo de Mato Grosso do Sul. Ele entrou para o partido de Lula no ano passado, depois de três mandatos como deputado federal pelo PSD. Segundo ele, a mudança de sigla foi feita para "combater a extrema direita" em seu estado.
Já Nelsinho (PSD) tenta vencer com o apoio de coligação com o PL. O senador permaneceu na antiga legenda do irmão e concorre como suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que tenta o Senado.
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Outro irmão está em um terceiro partido. Marquinhos Trad é candidato a deputado federal pelo PV em Mato Grosso do Sul. Ele, que já foi prefeito de Campo Grande e hoje é vereador, deixou o PSD pelo PDT em 2024 e mudou para o PV para poder ser candidato. O PV integra federação com PT e PCdoB.
A situação familiar não é inédita e tem um caso similar no Ceará. Lá, Ciro Gomes disputa o governo pelo PSDB, que fez uma coligação local com o PL de Flávio Bolsonaro, mas disse que vai ficar neutro na disputa presidencial. Já seu irmão Cid tenta a reeleição e apoia o candidato do PT, Elmano de Freitas, à recondução ao Executivo estadual e Lula ao Planalto.
Fábio diz que percebeu "retrocesso" na gestão de Bolsonaro. Justificou sua troca de partido para ficar do "lado certo da história". "Vivemos entre 2019 e 2022 a experiência de ser governados por uma extrema direita das mais retrógradas: anticiência, antivacina, misógina, preconceituosa e claramente antidemocrática."
Era um tempo tenebroso, que acabou me fazendo sentir saudades do tempo dos governos do PT, dos inúmeros avanços sociais e mesmo econômicos dos governos petistas. Além disso, assistimos estarrecidos à tentativa de golpe de Estado. Ficou muito claro para mim qual era o lado certo da história Fábio Trad, candidato ao Governo de MS pelo PT
Nelsinho diz que "durante anos tivemos o PT como adversário". Ele entende que a decisão de Fábio não foi repentina, com as divergências entre os dois estando claras desde 2022. Ele conta que ambos construiram a trajetória no "campo da centro-direita", mas respeita o posicionamento do irmão. "Eu permaneci fiel às minhas convicções. Ele entendeu que deveria seguir outro caminho."
Nelsinho desistiu de reeleição ao Senado. Ele diz que "foi uma das decisões mais difíceis da minha trajetória". Eleito em 2018, seu mandato termina neste ano. "Abri mão da reeleição para preservar a unidade do grupo e manter o PSD presente nas decisões de Mato Grosso do Sul. Foi um gesto de desprendimento para unir o campo político em que estou inserido", explica.
Seu partido apoia a reeleição de Riedel. A coligação conta com a federação União Progressista (União Brasil e PP), PL, PSDB/Cidadania, Podemos, Avante, Republicanos, PSD e MDB. Os candidatos ao Senado ficaram para o PL, com Azambuja e Capitão Contar.
Marquinhos apoia o posicionamento de Fábio.
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