Teto e piso eleitorais se encontram para Lula e Flávio
As curvas de intenção de voto, rejeição e avaliação do governo se alinharam para Lula e indicam que o presidente tem pouco espaço para crescer sem melhorar a aprovação, avalia José Roberto de Toledo no A Hora , do Canal UOL .
O tema é um dos destaques do episódio desta semana. O podcast de notícias do UOL , com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , está disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Toledo disse ter comparado três indicadores medidos pelo Datafolha: a intenção de voto em um eventual segundo turno, a rejeição aos candidatos e a aprovação e desaprovação do governo. A ideia, segundo ele, foi usar essas curvas como um sinal do "teto" e do "piso" eleitorais.
Quando você compara essas três curvas para o Lula e faz o mesmo com Flávio, vê um cenário bem diferente. As três curvas do presidente se alinharam em março e correm paralelas desde então. Ou seja, o piso e o teto são o mesmo, nesta faixa de 46, 47%. Se olhar pelo lado vazio do copo, significa que o piso está colado no teto de Lula. José Roberto de Toledo
Toledo afirmou que, por esse raciocínio, Lula teria mais chance de crescer se conseguisse melhorar a avaliação do governo - ou se a campanha conseguisse aumentar a rejeição ao adversário, fazendo o eleitor pesar "quem é pior". Na comparação com 2022, Toledo disse que o então presidente Jair Bolsonaro conseguiu reduzir o saldo negativo de avaliação ao longo de 2022, mas ainda terminou o período com números piores do que os de Lula hoje, na leitura dele.
Nesta pesquisa de agora, o Lula tem 43% de ruim e péssimo e 33% de ótimo e bom - um crescimento de 5 pontos do ruim e péssimo em relação a junho. Mas o importante é esse saldo, que é negativo em 10 pontos. Segundo o Ipec, na mesma época, quatro anos atrás, Bolsonaro tinha um saldo negativo de 15 pontos. José Roberto de Toledo
Toledo também mencionou um fenômeno que, segundo ele, apareceu em 2018 e se repetiu em outras eleições: eleitores de direita e extrema direita que evitam responder pesquisas ou mentem ao entrevistador, o que pode subestimar esses candidatos.
Muitos abominam tanto, são alvo de tanta campanha contra os institutos, que não respondem, mentem para o instituto, ou fogem. A pesquisa não consegue refletir corretamente o percentual dos candidatos de extrema direita, embora crave corretamente os seus opositores. José Roberto de Toledo
Para Toledo, isso aumenta a pressão sobre o governo para apresentar agenda voltada ao futuro, e não só a comparação com o passado. Ele citou, como exemplo de movimento com objetivo eleitoral, a ideia de restringir jogos e apostas.
Já do lado de Flávio, Toledo disse ver curvas "abertas": há um grupo que desaprova o governo, mas também rejeita o candidato, o que mantém parte do eleitorado sem declarar voto e vira alvo das campanhas.
A desaprovação do governo está lá em cima, 50%, enquanto a intenção de voto dele no segundo turno é 46%. Por quê? Porque desses 50% que desaprovam o governo, 15% rejeitam o Flávio. Este eleitor não gosta do governo, mas também não gosta do Flávio. Por enquanto, ele não está declarando voto no Flávio.
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