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Grupo usava caminhões de minério para transportar drogas da Bolívia e pagava funcionários para evitar fiscalização

Por Redação 5News · · com informações de G1 Mato Grosso do Sul
Grupo usava caminhões de minério para transportar drogas da Bolívia e pagava funcionários para evitar fiscalização

Operação Capolinea desmonta rede que usava mineração como fachada para tráfico de drogas na fronteira

Autoridades deflagraram nesta quinta-feira, dia 15 de outubro, uma operação de grande envergadura contra uma organização criminosa que transportava entorpecentes da Bolívia para o Brasil, utilizando caminhões de minério de ferro como cobertura para suas atividades ilícitas. A ação envolveu cerca de 100 policiais e resultou na prisão de diversos integrantes da rede, incluindo um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá, Mato Grosso do Sul, acusado de repassar informações confidenciais da unidade aos criminosos. O tribunal de justiça local autorizou a execução de 20 mandados de busca e apreensão, 14 ordens de prisão preventiva e sete mandados para prisão temporária, além do congelamento e apreensão de bens estimados em 24 milhões de reais.

Como a rede operava o transporte ilegal

O esquema criminoso aproveitava a intensa circulação de veículos de carga que rotineiramente movem minério de ferro na região fronteiriça para disfarçar a passagem de drogas. Os investigadores identificaram que criminosos recrutavam colaboradores dentro de empresas mineradoras, oferecendo compensação financeira para que consentissem com o carregamento de substâncias entorpecentes sem nenhuma supervisão. Entre os funcionários cooptados estavam supervisores e operadores dos equipamentos de pesagem utilizados nas operações das minas.

O grupo oferecia remuneração transferida por meios digitais, especificamente através de transações via Pix, para que os caminhões saíssem das mineradoras sem passar por qualquer tipo de verificação ou inspeção. Além desse procedimento básico, a rede empreegava técnicas sofisticadas de encobrimento das cargas proibidas. Os entorpecentes eram armazenados dentro de compartimentos de pneus de reserva e no interior de tanques de combustível dos caminhões.

Não se limitando apenas ao minério de ferro, os traficantes também utilizavam cargas de produtos agrícolas para esconder os produtos ilícitos. A abordagem permitia que os transportes de drogas circulassem junto com o fluxo normal de mercadorias legítimas que atravessavam a região, tornando extraordinariamente difícil identificar quais veículos portavam entorpecentes contrabandeados.

A rede de distribuição e o aliciamento de funcionários

As investigações revelaram que a organização criminosa mantinha um relacionamento comercial contínuo com empresa de mineração localizada próximo à fronteira. O grupo se valia dessa proximidade geográfica para garantir um fluxo constante de camiões que atravessavam pontos de controle, especialmente na região entre Corumbá, no lado brasileiro, e Puerto Quijarro, no lado boliviano. Uma vez que as drogas conseguiam ultrapassar a alfândega fronteiriça, eram destinadas para consumo e distribuição em diversos estados brasileiros, particularmente em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Os pagamentos oferecidos aos funcionários das mineradoras representavam uma estratégia sofisticada de corrupção. Em vez de utilizar dinheiro em espécie, que deixaria rastros mais óbvios, os criminosos optavam por transferências bancárias através de aplicativos de pagamento instantâneo, um método que oferecia a falsa impressão de legitimidade. Supervisores e operadores de balanças poderiam justificar pequenas transações como compensação por horas extras ou outros serviços, dificultando que auditores identificassem transações suspeitas.

Os principais alvos da operação

Gerson Palermo figura entre os acusados de coordenar a operação. Ele é apontado pelos investigadores como um dos principais chefes do Primeiro Comando da Capital, facção criminosa de ampla atuação no Brasil. Palermo permaneceu foragido durante aproximadamente seis anos após obter liberdade através de uma decisão judicial, até ser capturado na Bolívia durante o mês de maio do ano atual, quando retornou à cadeia. Na data da operação, um novo mandado foi colocado em execução contra ele.

Outro alvo importante é Aguinaldo Chaleira, cuja participação específica não foi detalhada nos registros iniciais, mas cuja captura foi considerada essencial para desmantelar a rede.

O vigilante preso trabalhava na Delegacia da Polícia Federal instalada em Corumbá. Conforme os autos da investigação, ele é enteado de um dos líderes principais da organização criminosa. Sua posição permitia que tivesse acesso a informações sensíveis sobre operações policiais em preparação, permitindo que criminosos se antecipem ou tomassem medidas para evitar interceptações. A constatação de que um funcionário público estava fornecendo informações privilegiadas evidencia o nível de penetração que organizações criminosas conseguem atingir dentro de instituições de segurança.

Contexto da região e da atuação do PCC

A região fronteiriça entre Brasil e Bolívia, particularmente na área de Corumbá, representa um corredor estratégico para o tráfico internacional de entorpecentes. A Bolívia é uma importante produtora de cocaína e outras drogas ilícitas, e a proximidade com estados brasileiros densamente povoados cria um cenário propício para operações de contrabando.

O Primeiro Comando da Capital, organização que Gerson Palermo integra, consolidou-se como uma das principais estruturas criminosas do país. Originário do sistema penitenciário paulista, o PCC expandiu suas operações para além das prisões, atuando em diversos segmentos do crime organizado, incluindo tráfico de entorpecentes, roubo a instituições financeiras, extorsão e lavagem de dinheiro. A facção é conhecida pela hierarquia rígida e pela capacidade de coordenar operações sofisticadas em várias regiões.

A Operação Capolinea representa um esforço concentrado das autoridades federais para desarticular redes de tráfico que exploram corredores fronteiriços. A autorização para congelamento de bens estimados em 24 milhões de reais sugere que as investigações identificaram ativos significativos da organização, potencialmente incluindo imóveis, veículos e contas bancárias.

O que acompanhar

Os desdobramentos mais imediatos envolvem a confirmação das acusações contra os indivíduos presos. Os procedimentos judiciários determinarão se haverá denúncia formal contra cada um dos acusados e quais penas serão solicitadas pelo Ministério Público.

A situação do vigilante da Polícia Federal merece atenção especial, pois compromete a integridade institucional de uma delegacia responsável pela segurança federal. Haverá investigações internas para determinar se outros servidores públicos estavam envolvidos ou se o comprometimento se limitava a este funcionário.

A quantidade de funcionários de mineradora aliciados ainda não foi quantificada plenamente. Investigações adicionais podem revelar quantas pessoas foram corrompidas e qual o volume total de drogas que foi transportado através deste esquema ao longo dos meses ou anos de operação.

Finalmente, a captura de Gerson Palermo reforçará os esforços federais contra a cúpula do PCC. Se confirmada sua participação na operação de contrabando, isso consolidará a compreensão de que a facção diversifica suas fontes de renda através de operações sofisticadas que perpassam múltiplos segmentos criminosos e fronteiriços.

Principais pontos:

• Operação Capolinea prendeu integrantes de rede que usava caminhões de minério para transportar drogas da Bolívia através da fronteira de Corumbá para estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

• Criminosos aliciavam funcionários de mineradoras com pagamentos via Pix para permitir carregamento de drogas escondidas em pneus, tanques de combustível e cargas de grãos sem fiscalização.

• Um vigilante da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá foi preso acusado de repassar informações internas da unidade aos criminosos; ele é enteado de um dos líderes da organização.

• Cerca de 100 policiais participaram da ação, que resultou em 20 mandados de busca, 14 prisões preventivas, 7 prisões temporárias e apreensão de bens estimados em 24 milhões de reais.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 Mato Grosso do Sul — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mato Grosso do Sul.

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