O choque passou pela bolsa, mas o veredito virá do fiscal
Na segunda-feira (26), o descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas se traduziu em uma forte reprecificação dos ativos brasileiros .
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para um quarto mandato com 51,79% dos votos válidos, equivalentes a 64,26 milhões de votos, contra 48,21% e 59,83 milhões de Flávio Bolsonaro .
O desfecho representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o candidato da oposição havia terminado à frente, e contrariou o cenário predominante entre os investidores.
Nas semanas anteriores, boa parte do mercado havia construído posições apostando em uma mudança na orientação da política econômica a partir de 2027.
Com a confirmação da continuidade do atual governo, essas expectativas precisaram ser rapidamente revistas, desencadeando um movimento expressivo de correção dos preços.
O resultado foi uma venda generalizada de risco.
O Ibovespa caiu 13,88% nesta segunda-feira (26), aos 176.608 pontos, depois de chegar a perder 17,34% na mínima intradiária.
A B3 acionou o mecanismo de interrupção temporária dos negócios, o chamado circuit breaker .
O dólar avançou 8,21% e encerrou perto de R$ 5,40, enquanto os juros futuros dispararam, especialmente nos vencimentos longos.
O ajuste ocorreu com volumes elevados e foi mais intenso em empresas dependentes de crédito e de juros baixos.
Convém separar dois fenômenos.
O primeiro é a desmontagem de apostas eleitorais: depois do primeiro turno, o Ibovespa havia subido aproximadamente 7%, o real havia se fortalecido mais de 4% e as taxas dos títulos longos haviam recuado expressivamente.
O segundo é a revisão do risco econômico: uma perspectiva fiscal menos favorável altera o desconto aplicado ao valor das empresas, o custo de financiamento do governo e as expectativas de inflação.
Os dois efeitos se reforçaram nesta segunda-feira, mas não têm necessariamente a mesma duração.
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