De salto alto não se sobe a rampa
Em 2014, Márcio Bittar desidratou uma diferença de mais de 76 mil votos contra o irmão de Jorge Viana.
Dez anos depois, Léo Moraes protagonizou uma virada de cinema em Porto Velho após largar quase 19 pontos atrás.
Agora, a bola da vez está com Mailza Assis, que enfrenta o ingrato desafio de confirmar nas urnas uma vantagem construída a tiracolo com uma imensa máquina política.
Se há uma lição que as urnas insistem em esfregar na cara dos apressadinhos é esta: liderar no primeiro turno não garante a faixa no peito .
No Acre de 2014 e na vizinha Porto Velho de 2024, candidatos que começaram o round decisivo nas cordas conseguiram virar o jogo de forma espetacular.
Para refrescar a memória: em 2014, o irmão de Jorge Viana, candidato ao governo pelo Partido dos Trabalhadores encerrou o primeiro turno ostentando 49,73% dos votos, contra 30,10% de Márcio Bittar.
Era uma “gordurinha” de 76 mil votos que parecia impossível de queimar.
Porém, quando as urnas do segundo turno foram abertas, a diferença, que antes beirava os 19 pontos percentuais, derreteu para míseros 2,6 pontos.
Foi por um triz.
O roteiro se repetiu — com requintes de crueldade para os favoritos — uma década depois, na vizinha Porto Velho.
Mariana Carvalho deitou no berço esplêndido do primeiro turno com 44,53%, deixando Léo Moraes comendo poeira nos 25,65%.
Resultado? Léo não só tirou a diferença de 47 mil votos como atropelou na reta final, sagrando-se prefeito com impressionantes 56,18%.
O recado deixado por esses episódios é cristalino para qualquer cacique político: eleição não se fatura por antecipação e, definitivamente, não combina com salto alto.
Cedo ou tarde, a gravidade cobra o seu preço .
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