Implante no cérebro faz pessoas paralisadas se comunicarem usando avatar; vídeo
Um único implante cerebral permitiu a duas pessoas com paralisia grave transmitir, simultaneamente, a intenção de falar e fazer gestos.
A atividade elétrica registrada no cérebro foi interpretada por IA (inteligência artificial) e convertida em texto e em movimentos de avatares digitais personalizados, capazes de reproduzir ações como acenar, balançar a cabeça e dar de ombros.
O estudo, publicado em setembro na revista Nature Neuroscience, mostra uma possibilidade de ampliar a comunicação de pessoas que perderam o controle da fala e dos movimentos.
As chamadas ICCs (interfaces cérebro-computador), ou BCIs, na sigla em inglês, são sistemas que captam sinais do cérebro e os transformam em comandos para computadores ou outros dispositivos.
Um implante para diferentes formas de comunicação Pesquisas anteriores já haviam usado interfaces cérebro-computador para ajudar pessoas com paralisia a falar, digitar, controlar um cursor ou movimentar membros protéticos.
A novidade do estudo liderado pelo neurocirurgião Edward Chang, da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, foi reunir fala e gestos em um mesmo sistema.
"Em nosso dia a dia, os gestos desempenham um papel importante na comunicação", lembra Samantha Brosler, coautora do trabalho, em entrevista à revista New Scientist.
"Dizer 'talvez' e acenar com a cabeça tem uma conotação muito diferente de balançar a cabeça negativamente." Para testar o dispositivo, dois voluntários com paralisia grave receberam uma grade com 253 eletrodos na superfície do córtex sensório-motor, região do cérebro relacionada à fala e aos movimentos.
O primeiro paciente havia sofrido um acidente vascular cerebral no tronco encefálico, enquanto o segundo era diagnosticado com ELA (esclerose lateral amiotrófica), uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva do controle dos músculos.
Ao longo da etapa de treinamento, os participantes tentaram pronunciar frases e realizar gestos enquanto a atividade cerebral era registrada.
Entre os exemplos estavam dizer "olá", bater palmas, acenar e balançar a cabeça.
Em alguns momentos, eles tentavam executar fala e gesto ao mesmo tempo.
Esses registros foram usados para treinar modelos de aprendizado de máquina para identificar padrões e associá-los a determinadas intenções.
Assim, os pesquisadores verificaram que incluir no treinamento dados de fala, gestos e das duas ações combinadas melhorou a capacidade do sistema de interpretar as ações simultâneas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.