Quem é Navanethem ‘Navi’ Pillay, ganhadora do Nobel da Paz de 2026
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi agraciada, nesta sexta-feira, 9, com o prêmio Nobel da Paz pela promoção do direito internacional e da ordem global baseada em regras e valores.
Segundo “papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam objeto de processo judicial”.
Nascida em 1941 em um bairro pobre de Durban, na África do Sul , em uma família de origem tâmil indiana, ela cresceu sob o rigoroso regime de segregação racial do apartheid .
Enfrentando pobreza e discriminação estrutural desde a infância, Pillay contou com o empenho de sua família e o apoio financeiro de sua comunidade local para concluir os estudos básicos e ingressar na Universidade de Natal, onde se formou em bacharel em artes, em 1963, e em direito em 1965.
Determinada a expandir sua formação acadêmica apesar das barreiras impostas aos cidadãos não brancos, Pillay obteve uma bolsa de estudos para a Universidade de Harvard, onde concluiu, em 1982, o mestrado em direito; o doutorado veio seis anos mais tarde.
Com essa conquista, tornou-se a primeira sul-africana a obter o título de doutora em direito pela prestigiada instituição americana.
A formação humanista e os valores de igualdade absorvidos em sua juventude estabeleceram a base moral que guiaria toda a sua vida profissional.
Luta contra o apartheid Impedida de trabalhar em escritórios dominados por brancos devido às leis de segregação, Pillay abriu seu próprio escritório de advocacia em 1967, tornando-se a primeira mulher não branca a exercer a profissão na província de KwaZulu-Natal.
Durante quase três décadas de atuação privada, destacou-se na linha de frente da resistência contra o apartheid, assumindo a defesa de militantes e opositores políticos do partido Congresso Nacional Africano e de outros movimentos sociais.
Em uma época na qual a tortura e os abusos em prisões estatais eram recorrentes, ela expôs as graves condições dos detidos e moveu ações judiciais históricas que garantiram o direito de acesso a advogados para os presos políticos da Ilha Robben, incluindo Nelson Mandela.
Mais tarde, como integrante da Coalizão Nacional das Mulheres, contribuiu decisivamente para a inclusão da cláusula de igualdade na Constituição pós-apartheid da África do Sul, proibindo a discriminação por raça, religião e orientação sexual.
Continua após a publicidade Tribunal Penal Internacional (TPI) Com o fim do regime segregacionista e a ascensão de Mandela à presidência, Pillay foi nomeada em 1995 como a primeira juíza não branca da Alta Corte da África do Sul.
No mesmo ano, foi indicada para o Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), órgão do qual foi presidente entre 1999 e 2003.
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