Quem afundou a Casas Bahia: Juros, dívida, bets ou erros de estratégia?
Horas depois de divulgar um prejuízo trimestral de R$ 10,1 bilhões, na noite de domingo (16) — valor 18 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025 — o Grupo Casas Bahia ( BHIA3 ), uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro, levou um pedido de recuperação judicial à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
Contudo, nem o prejuízo trimestral bilionário e nem os R$ 17,3 bilhões em passivos que a varejista reportou contam a história toda.
Quem seriam os responsáveis pela crise que levou a consultoria EY a escrever em seu parecer que acompanha as demonstrações financeiras, um alerta sobre a “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia? A resposta curta é que não existe um único responsável.
Segundo especialistas consultados pelo InfoMoney , houve uma combinação de fatores que inclui o cenário macroeconômico, uma estrutura financeira pressionada além de mudanças profundas no varejo e um ambiente cada vez mais competitivo.
“Juros altos, consumidor endividado, crédito mais caro e margens pressionadas atingem especialmente varejistas muito alavancadas e dependentes de capital de giro”, afirma Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.
“No caso de móveis e eletroeletrônicos, isso pesa ainda mais: são estoques caros, tíquetes elevados, vendas parceladas e uma operação logística relevante”, completa.
O que fica claro é que a crise da Casas Bahia não se resume em vendas .
“O problema da Casas Bahia não é simplesmente vender.
É transformar bilhões em vendas em caixa suficiente para sustentar a operação e pagar uma estrutura financeira pesada”, avalia Marcos Crivelaro, pesquisador da Fundação Vanzolini e professor das áreas de gestão e finanças.
Neste ponto, a distinção entre receita, lucro e caixa é fundamental : uma empresa pode continuar vendendo bilhões de reais todos os anos e, ainda assim, enfrentar dificuldades para honrar fornecedores, bancos e demais obrigações financeiras.
Nesse sentido, Júlio Moretti, CEO da NEOT, empresa de tecnologia que atua com inteligência de dados sobre processos de recuperação judicial e falência, chama a atenção para outro dado relacionado a gestão de caixa e capital de giro: “Os estoques caíram de R$ 5,4 bilhões para R$ 4,2 bilhões em um único trimestre, reflexo de gestão de capital de giro, mas também da dificuldade de recompor mercadoria sem crédito de fornecedor”, avalia, Para Crivelaro, a recuperação judicial também deve ser entendida como parte de um processo que não começou agora: a companhia passou por uma recuperação extrajudicial em 2024 , alongando dívidas e reduzindo custos financeiros.
“Renegociar dívida compra tempo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.