IA já é fonte primária para dúvidas sobre saúde no Brasil
Quando surge uma dúvida sobre saúde, 69% dos entrevistados brasileiros pela PwC dizem recorrer primeiro à inteligência artificial. É o terceiro maior índice entre os países pesquisados, atrás do Vietnã, com 81%, e do Egito, com 77%. O resultado da Voz do Consumidor 2026 mostra quanto as plataformas de IA já participam da procura por informação sobre o próprio corpo.
O uso da tecnologia também aparece no acompanhamento da rotina. No Brasil, 86% dos respondentes usam aplicativo ou dispositivo vestível para pelo menos uma atividade de saúde e bem-estar, diante de 80% no conjunto global. Os chamados wearables incluem relógios, pulseiras e anéis inteligentes. A medida reúne os equipamentos e os aplicativos, sem exigir acompanhamento diário.
A PwC ouviu 21.808 adultos em 27 países e territórios, entre fevereiro e março de 2026. O relatório brasileiro não informa o tamanho da amostra local. São respostas sobre hábitos e percepções, que ajudam a entender como as pessoas procuram cuidado, sem medir a qualidade clínica da orientação recebida.
O Digital 2027, publicado em outubro pela We Are Social e pela Meltwater, reúne outras evidências desse comportamento. Nos dados da GWI referentes ao segundo trimestre de 2026, 24,1% dos usuários ativos de IA com 16 anos ou mais citam cuidar da saúde e do bem-estar entre os motivos de uso no mês anterior. É uma pergunta diferente da feita pela PwC sobre a primeira fonte consultada.
A procura por informações de saúde continua crescendo na internet. Segundo a GWI, 25,9% dos internautas com 16 anos ou mais nos mercados pesquisados haviam consultado sintomas online nos sete dias anteriores. A proporção aumentou 12,6% em dois anos.
Ao mesmo tempo, a análise da Manochi sobre dados da Similarweb aponta queda de 34,5% nas visitas à categoria de sites de saúde no período de quase quatro anos examinado pelo relatório. Em dois anos, a redução foi de 24%. O recorte acompanha categorias entre os 10 mil maiores sites da base e não equivale a medir toda a informação de saúde consumida online.
Os resultados mostram procura por orientação em alta e menos visitas aos sites monitorados. Há uma percepção que está sendo ainda investigada pelo mercado que as plataformas de IA generativa estão levando a audiência dos antigos sites de conteúdo.
Há uma diferença na experiência de quem busca. Em uma conversa com IA, a pessoa pode descrever o que sente, acrescentar informações e pedir outra explicação. Essa troca dá continuidade à dúvida dentro da mesma interface. Para o leitor, o trabalho de conferir a origem da resposta permanece, mesmo quando ela parece escrita especificamente para o seu caso.
Na alimentação, a busca por informação acompanha mudanças no que se deseja comprar. "A gente vê que até o próprio vocabulário do brasileiro já mudou", diz Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo da PwC Brasil, em entrevista à coluna. Ela relata que a pergunta pela "mistura" da refeição cede espaço a perguntas sobre proteína e fibra. Segundo a executiva, supermercados e atacarejos estão adaptando a oferta a esse interesse.
A pesquisa ajuda a dimensionar o que esse consumidor espera das empresas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.