Lula eleito: o Hexa veio, e foi sem Neymar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito ontem (25) pela quarta vez. Com o bi de Dilma Rousseff, os governos de esquerda conquistaram o Hexa no Brasil. O Bolsonarismo permanece com uma única e isolada vitória.
O Tetra chegou de virada. No futebol, dizem que é mais gostoso. Na política, com o que está em jogo, talvez não tenha sido. Mas aconteceu. Lula obteve a maior votação da história, com 64 milhões de votos — batendo o próprio recorde de 60 milhões, alcançado em 2022, contra o pai de Flávio —, sendo quase quatro milhões e meio de votos de vantagem. Três milhões de pessoas que não haviam comparecido no primeiro turno se mobilizaram neste domingo. No total, o petista amealhou 10 milhões de votos em três semanas. Contra as big techs, contra juízes, contra o governo de Donald Trump, contra algumas das maiores forças do planeta. Tudo na unha e na raça de um exército improvável. No atual cenário, uma goleada.
No sábado (24), o cabo eleitoral mais famoso da extrema-direita, o craque sem mundial Neymar havia dado uma das maiores demonstrações de seu caráter . Um homem ao mesmo tempo violento e covarde, idolatrado e vazio, partiu para cima de seu adversário. Arremessou uma bola em sua direção, xingou, tampou a boca, ameaçou pegá-lo, tentou bater nele, empurrou todo mundo. Expulso, precisou ser contido pelos colegas. Mais uma vez, indignado com as consequências dos próprios atos, com a ousadia de aplicarem a ele as regras que valem para os demais.
A geração Neymar aprendeu a idolatrar um craque que parou de jogar há anos. Que, pela seleção, conquistou quase nada. Um homem que traiu a esposa grávida, que sugeriu enfiar um sapato na boca de uma artista que ousou desafiá-lo, que deu um tapa em um jovem colega, que teve seu contrato com a Nike rompido por se recusar a colaborar com uma investigação de assédio, que foi acusado de crimes ambientais e fiscais, que promoveu festas durante a pandemia, que afirmou que um árbitro estava "de chico", entre tantos outros marcos. Pouca bola, muita bet, dinheiro demais e barulho em excesso.
Nada mais lógico do que o craque e seu fandom apoiarem Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e companhia. Nada mais lógico do que serem defenestrados, por uma parte imensa da população que entendeu a mentira, rejeitou essa ideia de sucesso e mandou para casa os petulantes — incapazes de reconhecer a derrota.
Quiseram os roteiristas de Brasil (que uniram Igreja Católica e Alexandre Frota, Jones Manoel e Joice Hasselmann, Madonna e Renan Santos) que a vergonha mais recente de Neymar chegasse pelas mãos do Bahia, time do mesmo estado que impôs uma das maiores derrotas ao seu amado candidato: 71,16% para Lula e 28,53% para Flávio.
Primeiro a impedir a reeleição de um presidente no cargo, Lula conquistou a primeira virada, tornando-se o primeiro a ter quatro mandatos por voto direto, na primeira eleição com abstenção menor no segundo do que no primeiro turno.
Em 25 de outubro de 2026, uma ideia de Brasil foi derrotada nas urnas. De novo. Uma ideia representada por um dos maiores ídolos dos últimos anos, um homem que miseravelmente virou exemplo para adultos e crianças.
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