ESMO 2026 destaca nova geração de tratamentos que amplia perspectivas na oncologia
Estudos apontam avanços em vacinas personalizadas de mRNA e novas combinações terapêuticas, com resultados promissores para pacientes
O câncer é frequentemente chamado de a doença do século. São cerca de 20,6 milhões de novos casos anuais, número que pode chegar a quase 35 milhões até 2050, e quase 10 milhões de mortes em todo o mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante disso, a busca por novas alternativas terapêuticas que promovam desfechos clínicos mais favoráveis é um dos principais desafios da pesquisa. Nessa linha, novos estudos ganharam destaque no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) 2026, realizado em Madri, de 23 a 27 de outubro.
Um dos estudos mais comentados pela comunidade científica foi a vacina de mRNA contra melanoma. O estudo de fase 3 INTerpath-001 analisou a introdução de uma terapia individualizada baseada em mRNA, o intismeran, ao tratamento com pembrolizumabe após cirurgia em pacientes de alto risco. De acordo com os resultados, a estratégia terapêutica reduziu o risco de recorrência ou morte em 42% em comparação com o uso isolado do pembrolizumabe. Também aparecem entre os destaques estudos como o DeLLphi-305, que apresentou maior sobrevida global para pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágio avançado, e o AZUR-1, que investigou o uso do dostarlimabe para câncer retal localmente avançado.
“A ESMO é um dos melhores congressos em geral, mas este ano foi particularmente singular, porque tivemos dados revolucionários”, afirma Yelena Janjigian, co-presidente do comitê científico da ESMO e chefe da área de Oncologia Gastrointestinal no Memorial Sloan Kettering Cancer Center.
O estudo INTerpath-001 foi apresentado no sábado, 24, na sessão plenária. Desenvolvido pela Moderna em parceria com a MSD, o estudo randomizado avaliou o uso de uma vacina com tecnologia de mRNA de intismeran, em combinação ao pembrolizumabe após cirurgia em pacientes de alto risco, envolvendo 1.137 pacientes de diversos países, com melanoma em estágios 2B a 4 completamente ressecados.
Mesmo com dados vazados dias antes da apresentação, o salão ficou lotado com a presença de milhares de médicos e cientistas da área. À frente do salão, a pesquisadora e diretora médica do Melanoma Institute Australia (MIA), Georgina Long, comentou os resultados sobre o tratamento contra melanoma. Após acompanhamento mediano de 24,6 meses, o tratamento reduziu o risco de recorrência ou morte em 42% em comparação com o uso do pembrolizumabe isoladamente. A pesquisadora foi aplaudida e uma parte do público a homenageou em pé.
O melanoma é um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. Mesmo com o uso de tratamento padrão após a cirurgia, é possível que o câncer retorne. Nesse sentido, além do uso do pembrolizumabe, o intismeran foi adicionado para entender seu potencial terapêutico contra o tumor. O perfil de segurança da combinação foi consistente com estudos prévios. Eventos adversos relacionados ao tratamento de grau 3 a 5 ocorreram em 14,2% dos pacientes que receberam a combinação, em comparação com 13,4% dos que receberam pembrolizumabe isoladamente.
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