Enamed pressiona faculdades de Medicina e impulsiona reorganização do mercado de ensino
Inspirali e Einstein fecham parceria, assim como outras instituições buscam caminhos para melhorar resultados do Enamed
O ministro Gilmar Mendes publicou em uma rede social, no último dia 10 de outubro, uma análise em que aponta que ainda há uma onda de aberturas de cursos de medicina por decisões judiciais que ignoram os critérios do Ministério da Educação (MEC) e o que o Supremo Tribunal Federal (STF) referendou em 2024. Ele pede que a corte volte a discutir o tema.
“Dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 dão conta de que essas instituições, não autorizadas pelo MEC, apresentam qualidade de ensino inferior à média nacional: dos 13 cursos nessa situação avaliados pelo exame, apenas 30,8% obtiveram desempenho satisfatório”, argumentou o ministro.
O Enamed tem sido utilizado para cobrar melhorias das instituições e avaliar alunos. A avaliação teve duas edições, a última realizada em 13 de setembro, e tem movimentado universidades de todo o país a se atualizarem e buscarem melhores resultados no exame, evitando sanções e suspensões.
Paralelamente, o Ministério da Saúde e o MEC também atualizaram as diretrizes curriculares de Medicina em 2025, o que também trouxe impactos para as universidades. Ambas as mudanças na estrutura educacional impulsionam a busca por parcerias para fortalecer o ensino de Medicina no país, com foco em qualidade e resultados.
“Não é uma adequação só ao exame, são coisas que estão diretamente conectadas. Tivemos em 2025 a aprovação da nova diretriz curricular de Medicina, que é uma diretriz mais baseada em competências, com maior integração entre prática e teoria, cuidado centrado na pessoa, atuação em diferentes níveis de atenção e compromisso com o SUS”, explica Juliano Griebeler, presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup).
A Medida Provisória n° 1370, de 2026, que institui o Enamed, ainda aguarda sanção presidencial. O texto define que o exame será aplicado três vezes ao longo da graduação: no segundo, quarto e sexto anos. Além de avaliar as instituições, o exame também passa a avaliar os graduandos, que só terão registro profissional concedido caso atinjam desempenhos satisfatórios. Ainda, o exame valerá como primeira etapa para o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira, conhecido como Revalida.
A Inspirali, grupo de educação médica da Ânima Educação, fechou parceria com o Einstein Hospital Israelita para fazer assessoria acadêmica nos cursos de Medicina da instituição. Serão 15 faculdades envolvidas no acordo que contarão com revisão de conteúdos, aprimoramento dos métodos de ensino e preparação dos estudantes para a prática profissional. A parceria tem prazo de 20 anos, com possível renovação, e deve surtir efeitos nos resultados do Enamed.
Edgar Jacobs, advogado e consultor em Direito Educacional, explica que há no mercado empresas como a PreparaEdu, que oferece soluções de acompanhamento da aprendizagem. Através de avaliações, a plataforma oferece, com base em dados e apoio de inteligência artificial, mudanças na grade curricular e nos conteúdos trabalhados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.