Biópsia líquida: próximo passo do rastreio oncológico começa a chegar ao Brasil
Exame já utilizado na prática clínica avança para rastrear indícios de câncer no corpo humano utilizando amostras de sangue
O rastreio precoce de um câncer permite identificar a doença antes que os primeiros sinais apareçam – uma estratégia importante pois favorece diagnósticos em estágios iniciais e amplia as possibilidades de tratamento, com potencial impacto na redução da mortalidade. Nesse contexto, métodos como a biópsia líquida, já utilizados na prática clínica para orientar tratamentos personalizados, começam a ganhar espaço também como uma possível ferramenta de apoio à triagem preventiva do câncer.
A biópsia líquida é um exame que investiga a presença de fragmentos de DNA tumoral circulante, células ou outros marcadores liberados por tumores por meio de uma amostra de sangue comum. Considerada minimamente invasiva, a técnica é utilizada como um indicativo da presença de um tumor no organismo e não um diagnóstico definitivo: no caso de um resultado positivo, é preciso realizar exames adicionais para comprovar a presença do tumor.
Com uma tecnologia sofisticada de inteligência de máquina e algoritmos, a técnica consegue até mesmo identificar a origem do fragmento de DNA tumoral. Como cada fragmento é distinto a depender do local, é possível identificar, por exemplo, DNA tumoral no pulmão, no pâncreas ou no intestino. Essa tecnologia pode expandir formas de rastreamento de tumores, chegando, até mesmo, a tipos de câncer que não contavam com estratégias nessa linha.
“É a porta de entrada para uma revolução que está nos levando a outro patamar. Vamos conviver, nas próximas gerações, com a capacidade de fazer rastreio de câncer pelo sangue. Isso não existia”, comemora Fernando Moura, oncologista clínico e gerente médico do Programa de Medicina de Precisão do Einstein. Segundo ele, o uso da biópsia líquida chega como uma forma de ampliar cada vez mais o olhar sobre a doença.
O método da biópsia líquida já tem diversas aplicações na prática clínica. Ele permite, por exemplo, entender a genotipagem de um tumor para escolher o tratamento mais adequado para um determinado paciente. Também é possível utilizar a prática para a pesquisa de doença residual mínima (na sigla, DRM), mapeando a presença das células cancerígenas que permanecem no corpo de um paciente em menor quantidade durante ou após um tratamento.
Segundo Isabella Werneck, representante da comissão de Patologia da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), um dos casos de uso da ferramenta na prática é após uma cirurgia de retirada de um tumor para avaliar se a doença ainda está presente no corpo e se existe micrometástases. Com isso, é possível redirecionar melhor o tratamento.
Uma nova forma de utilização dessa tecnologia é no rastreio do câncer. Essa opção acaba de chegar ao Brasil por meio de um teste, ofertado pela Genesis Genomics, joint venture especializada em medicina genômica formada pelo Einstein e Grupo Fleury.
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