Os peixes revelam a Amazônia que as políticas ainda não enxergam
Quando pensamos na Amazônia, a imagem mais imediata costuma ser a de uma imensidão de árvores.
Essa visão, embora verdadeira, é incompleta.
Até 30% da bacia é formada por rios, lagos, várzeas, áreas úmidas e florestas que passam parte do ano inundadas.
Sob a superfície desse mundo aquático vivem mais de 2.700 espécies de peixes já registradas, cerca de 15% de todas as espécies de água doce conhecidas no planeta, e aproximadamente dois terços delas não existem em nenhum outro lugar.
Ainda assim, os Esse esquecimento não decorre de falta de importância, mas de uma dificuldade persistente de perceber o rio como um sistema vivo.
Uma floresta derrubada deixa uma marca visível na paisagem, mas um rio, por outro lado, pode continuar correndo mesmo depois de perder conectividade e parte expressiva de sua biodiversidade, enquanto a qualidade da água também se deteriora.
Essa aparente normalidade esconde mudanças profundas: em escala mundial, as populações monitoradas de espécies de água doce diminuíram cerca de 85% desde 1970, enquanto quase metade dos rios do planeta já sofreu algum grau de perda de conectividade.
A Amazônia, no entanto, permanece como uma das últimas grandes bacias em que ainda é possível evitar esse caminho, mas a janela de oportunidade na qual ainda é possível agir não ficará aberta para sempre.
Mapa mostrando o índice de conectividade (CSI) dos principais rios do mundo.
Altos valores indicam alto grau de conectividade e baixa alteração por impactos humanos Griell et al., 2019 Conhecer melhor os peixes amazônicos ajuda a entender por que conservar a água doce não é uma agenda separada da proteção da floresta.
Tambaquis e pacus, entre outras espécies, entram nas áreas inundadas para se alimentar de frutos e, ao se deslocarem, dispersam sementes por grandes distâncias.
Outros peixes transportam nutrientes entre ambientes aquáticos e terrestres, influenciam a produtividade dos rios e sustentam animais como botos, ariranhas, jacarés e aves.
Eles não são apenas beneficiários de um ecossistema saudável.
Participam ativamente da manutenção da floresta e das relações que permitem que esse sistema continue funcionando.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.