Brigadas indígenas buscam unir saber tradicional a drones e mapas na prevenção de incêndios
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Além do conhecimento tradicional, brigadas indígenas contra incêndios florestais estão ganhando um reforço de treinamento para uso de drones e outros equipamentos eletrônicos no combate e prevenção ao fogo descontrolado.
O projeto é uma iniciativa da Fundação Bunge em parceria com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
A reportagem da Folha acompanhou uma ação de queima prescrita —ou seja, uma ação de pôr fogo em uma área para evitar incêndios descontrolados futuros— na Terra Indígena Xerente, em Tocantins , em maio deste ano.
A doação ao Ibama dos equipamentos para combate e prevenção a incêndios, a serem incorporados nas ações do Prevfogo, vem acompanhada de treinamentos das brigadas indígenas para uso dessa tecnologia.
Entre os equipamentos doados também estão tablets, notebooks e maquinários para "salas de situação" móveis, especialmente tecnologia usada para georreferenciamento —e aqui entra a parte em que a fundação providencia treinamento aos indígenas para uso desses equipamentos.
Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge, diz que até o momento são 24 brigadas indígenas treinadas e com disponibilidade de equipamentos. A ideia é chegar a 40, até 2029, ano final do projeto.
Ainda seguindo Calais, já foram doadas três salas de situação, com o objetivo de atingir sete. A fundação investirá cerca de R$ 1,5 milhão nos cinco anos do projeto.
O projeto, em parceria com o Ibama, abrange povos indígenas de Mato Grosso , Mato Grosso do Sul , Pará , Maranhão e Tocantins .
"Lá na sede do Ibama, em Brasília, tem uma sala de situação muito bem montada, mas ela só existe em Brasília", diz Calais. "Em 2024, quando houve aquela série histórica horrorosa de incêndios, eles tinham uma dificuldade muito grande de falar com o território [indígena]. Então a gente, com um parceiro, conseguiu adaptar a sala com aqueles equipamentos de última geração em cases para que pudessem ser transportados para diferentes regiões. Então hoje o Ibama consegue se comunicar com os centros locais."
Marco Borges, analista ambiental do Prevfogo, do Ibama, aponta que as salas de situação são, basicamente, onde se reúnem os especialistas de cada frente de combate a queimadas para organização e tomada de decisões.
A tecnologia em questão é pensada para ser aplicada de diferentes formas. Uma delas é a que a Folha acompanhou, a queima prescrita, que é normalmente feita em períodos chuvosos, o que faz com que, após ativado, o fogo acabe apagando sozinho, sem necessidade de intervenção.
O fogo bom também existe. Existe fogo ruim, e isso vamos continuar combatendo, mas existe também um fogo bom, que faz bem para a natureza
"As queimas prescritas são uma modalidade de utilização do fogo muitas vezes com caráter preventivo e com caráter ecológico também", afirma Borges. "É um fogo planejado, para, por exemplo, diminuir o combustível na paisagem ou para conectar cicatrizes, fazer uma zona segura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Cotidiano.