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Mais de mil sítios arqueológicos aparecem dentro deste parque brasileiro e 204 deles podem ser visitados pelo público

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Mais de mil sítios arqueológicos aparecem dentro deste parque brasileiro e 204 deles podem ser visitados pelo público

Parque nacional no Piauí preserva mais de 1.300 sítios arqueológicos, pinturas rupestres milenares e vestígios importantes da ocupação humana nas Américas

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, reúne mais de 1.300 sítios arqueológicos cadastrados, dos quais 204 estão preparados para visitação. Entre paredões rochosos e paisagens da Caatinga, o território preserva pinturas rupestres, antigas ferramentas e vestígios fundamentais para investigar a ocupação humana das Américas.

Localizado no sudeste do Piauí, o parque ocupa aproximadamente 129 mil hectares, abrangendo quatro municípios. Seus paredões de arenito, desfiladeiros e abrigos naturais ofereceram proteção a diferentes comunidades humanas durante milhares de anos, favorecendo a preservação de registros arqueológicos.

As pinturas representam animais, figuras humanas e cenas de interação coletiva. Entretanto, os sítios também contêm instrumentos de pedra, fragmentos cerâmicos, restos de fogueiras e outros materiais. Esse conjunto permite investigar atividades cotidianas, tecnologias e transformações culturais de populações antigas.

A Fundação Museu do Homem Americano informa que, entre 1.354 sítios cadastrados, 204 foram preparados para receber visitantes. Desse total, 17 possuem condições de acessibilidade para pessoas com dificuldades de locomoção, ampliando as possibilidades de conhecer esse patrimônio.

Os percursos incluem o Boqueirão da Pedra Furada, o Desfiladeiro da Capivara e a Serra Branca. A visitação exige acompanhamento de condutor credenciado, responsável por orientar os turistas e ajudar a proteger pinturas e estruturas sensíveis.

O documentário Arqueologia e conservação, da série Pé no Parque, apresenta as pesquisas, as pinturas rupestres e o trabalho de preservação desenvolvido na Serra da Capivara.

Muitas representações foram produzidas com pigmentos minerais, incluindo compostos ricos em óxidos de ferro, responsáveis por tonalidades avermelhadas. Aplicados diretamente sobre superfícies rochosas, esses materiais podem permanecer preservados por longos períodos quando encontram condições ambientais favoráveis.

A resistência, entretanto, não é absoluta. Infiltrações, alterações térmicas, depósitos minerais e atividade biológica podem deteriorar as imagens. Por isso, pesquisadores monitoram os painéis e desenvolvem procedimentos de conservação para reduzir danos sem comprometer os registros originais.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional destaca a região como referência internacional em arqueologia. As investigações foram impulsionadas pela arqueóloga Niède Guidon, que coordenou pesquisas fundamentais para documentar vestígios antigos e ampliar a proteção desse patrimônio.

Escavações em locais como o Boqueirão da Pedra Furada produziram evidências interpretadas por alguns pesquisadores como sinais de ocupações anteriores às cronologias tradicionalmente aceitas para as Américas. Essas interpretações permanecem debatidas, especialmente quanto à origem humana de determinados materiais e suas datações.

Criado em 1979, o parque recebeu reconhecimento da UNESCO como Patrimônio Mundial em 1991.

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