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Um cânion de 5,8 km corta o Sul do Brasil com paredões que chegam a 720 metros de profundidade e trilhas que passam quase na borda

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Um cânion de 5,8 km corta o Sul do Brasil com paredões que chegam a 720 metros de profundidade e trilhas que passam quase na borda

No Parque Nacional de Aparados da Serra, paredões vulcânicos, cachoeiras e trilhas panorâmicas revelam uma das paisagens mais impressionantes do Sul do Brasil

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O Cânion Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, impressiona por seus 5,8 quilômetros de extensão e paredões que alcançam aproximadamente 720 metros de profundidade. Localizado na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, oferece trilhas próximas às bordas, mirantes naturais e cachoeiras que despencam entre enormes formações rochosas.

A formação está localizada na região dos Aparados da Serra, onde o relevo apresenta uma transição abrupta entre o planalto e as terras baixas próximas ao litoral. Seus paredões quase verticais revelam sucessivas camadas de rochas vulcânicas, formadas durante antigos episódios de atividade magmática.

O nome Itaimbezinho tem origem em expressões indígenas associadas à ideia de pedra cortante. A denominação combina com a aparência da paisagem, marcada por fendas profundas, encostas íngremes e paredes que parecem ter sido cortadas por uma enorme lâmina.

A Trilha do Vértice percorre aproximadamente 1,5 quilômetro, considerando ida e volta, e passa por mirantes com vistas para o interior do cânion. Entre seus destaques estão as cachoeiras das Andorinhas e Véu de Noiva, que descem pelos paredões.

Já a Trilha do Cotovelo possui cerca de seis quilômetros de ida e volta. O caminho atravessa campos de altitude e vegetação nativa até alcançar mirantes próximos à borda, oferecendo uma visão panorâmica da extensão do desfiladeiro.

O vídeo mostra a Trilha do Vértice, os mirantes do Itaimbezinho e imagens aéreas dos paredões registradas com drone.

As rochas do Itaimbezinho pertencem a extensas formações vulcânicas associadas à fragmentação do antigo supercontinente Gondwana, há aproximadamente 130 milhões de anos. Grandes derrames de lava se acumularam e solidificaram, formando camadas resistentes que atualmente aparecem expostas nos paredões.

Posteriormente, movimentos tectônicos, fraturas e processos erosivos contribuíram para aprofundar os vales. A água aproveitou zonas de menor resistência das rochas, ampliando lentamente as aberturas. Portanto, o cânion não surgiu de uma única ruptura, mas de transformações geológicas acumuladas durante milhões de anos.

O Serviço Geológico do Brasil descreve o Itaimbezinho como um dos principais exemplos das escarpas dos Aparados da Serra. Seus levantamentos registram aproximadamente 5,8 quilômetros de extensão e paredões verticalizados que alcançam 720 metros de profundidade.

A região também apresenta grande importância para estudos geomorfológicos, pois permite observar a interação entre rochas vulcânicas, drenagem fluvial e evolução do relevo. No fundo do cânion corre o Rio do Boi, alimentado por cursos d’água e quedas que atravessam as encostas.

Os percursos superiores permitem contemplar os paredões sem realizar descidas técnicas. A Trilha do Vértice oferece acesso relativamente curto, enquanto a do Cotovelo exige caminhada mais longa, porém em terreno predominantemente suave.

A Trilha do Rio do Boi apresenta condições diferentes.

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