Gafanhoto-isca gera renda nas margens do Rio São Francisco
Os insetos são vendidos vivos a pescadores turistas em busca do peixe pacu-caranha. A atividade reforça o orçamento familiar e revela interações ecológicas e questões legais sob essa prática
Quando as mangueiras começam a ser tomadas por gafanhotos no período que se segue às primeiras chuvas de junho, o telefone de Jacó costuma tocar com frequência. Jardineiro em Serra do Ramalho, município localizado no extremo oeste da Bahia, ele usa redes para apanhar no alto das árvores e utiliza uma pequena rede acoplada na extremidade de uma longa vara. É assim que ele apanha os insetos vivos camuflados na folhagem.
Jacó de Souza, 38 anos, é um jardineiro conhecido por ter o faro para encontrar gafanhotos, atua nas horas vagas sob a demanda dos pescadores, realizando as capturas apenas quando chegam as encomendas. O público que busca a isca é composto por frequentadores de Serra do Ramalho e, sobretudo, por visitantes vindos de diversas cidades de Minas Gerais.
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Em vez do simples descarte do manejo agrícola, os animais coletados ganham destino em caixas de papelão ou garrafas plásticas. A alta resistência dos animais facilita mantê-los vivos por dias até o local de pesca, a poucos quilômetros, onde vão se tornar isca de pescadores.
Este inseto pertence à família dos acridídeos, popularmente conhecidos como gafanhotos-verdes de pastagem. Na Ecologia da Caatinga e do Cerrado, esses organismos desempenham papéis fundamentais ao acelerar a decomposição vegetal, enriquecer o solo com nitrogênio e servir de alimento para aves, anfíbios e répteis.
Gafanhotos também convertem biomassa vegetal em proteína animal, tornando-se elo fundamental da cadeia alimentar de aves, lagartos, anfíbios, pequenos mamíferos e diversos invertebrados predadores. Em condições naturais, sua atividade de alimentação ainda influencia a dinâmica da vegetação, embora explosões populacionais possam causar prejuízos às lavouras e pastagens, como é o caso de Serra do Ramalho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.