Farmacovigilância de GLP-1 esbarra em falta de dados sobre manipulados e falsificados – Série Especial O Caminho dos Medicamentos
Os medicamentos de GLP-1 provocaram uma revolução no tratamento da obesidade e do diabetes.
Esses fármacos se popularizaram e passaram a ser procurados para perda de peso, sem necessariamente ter um acompanhamento médico próximo.
Isso tem se refletido em uma oferta e procura por medicamentos que vão além dos produtos vendidos nas farmácias com prescrição, e abrangem versões manipuladas e um mercado paralelo com aquisição por vias ilegais sem garantia de que o produto é seguro.
Dentro desse contexto de popularização e diversidade, o Brasil tem registrado um aumento significativo nas notificações de efeitos adversos associadas ao uso, em um ambiente que ainda enfrenta desafios de controle e fiscalização, uma vez que os dados não conseguem mapear se as notificações estão ligadas a produtos que foram acessados por vias não previstas na lei.
Futuro da Saúde apurou que, entre 2024 e 2025, o número de notificações de eventos adversos relacionados ao uso de análogos de GLP-1 triplicou.
Em 2024, foram 451 notificações, que cresceram para 1.368 no ano seguinte, média de 114 por mês.
Essa tendência continuou sendo observada em 2026.
Até agosto, 980 notificações foram registradas, uma média aproximada de 122,5 por mês.
Desde 2018, foram 3.626 casos ao todo no VigiMed.
O número de casos de fato pode ser até maior, pois o sistema de farmacovigilância consegue mapear com sensibilidade os mais graves, segundo Daniel Coradi, gerente-geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária da Anvisa.
Isso acontece porque esse tipo de caso tende a ser mais notificado por pacientes, profissionais de saúde e instituições na plataforma VigiMed, que concentra boa parte desses registros.
Vale destacar, no entanto, que uma notificação não significa, necessariamente, que o medicamento tenha causado o evento adverso, mas apenas que houve uma suspeita de associação.
É diferente dos casos em que ocorre óbito: segundo Coradi, esses passam por uma análise para que seja comprovado que a ocorrência foi causada pelo uso de medicamentos de GLP-1.
De acordo com ele, as notificações são importantes porque servem de insumo para a tomada de decisões regulatórias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.