Crítica | ‘Vamos, Time!’ – Comédia da NETFLIX expõe o xadrez humano no universo trabalhista
Sabe aqueles dias em que você quer assistir a uma comédia e fica procurando, pelos catálogos dos streamings, alguma sinopse que possa ser interessante ao ponto de realmente fazer rir de forma inteligente? Assim, cheguei à obra espanhola Vamos, Time!, disponível na Netflix, que apresenta, de forma humorada, quase escrachada, as dinâmicas do universo trabalhista através de uma mãe de primeira viagem que volta ao serviço após a licença-maternidade.
O roteiro, escrito por Cristóbal Garrido e Adolfo Valor , segue na linha do convencional sem se arriscar, feito para uma rápida assimilação do público. Mesmo assim, e bem longe de ser algo descartável, entre os exageros e a correria da trama, através do humor inteligente consegue-se chegar a críticas sociais importantes, voltadas à sempre complexa relação entre funcionários e patrões. Você assiste ao filme e cria identificações com a realidade.
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Olga ( Alexandra Jiménez ) é uma recém-mamãe de gêmeos que volta ao trabalho após meses de licença maternidade e fica de frente com mudanças no futuro da empresa de queijos em que trabalha, Tío Mochales, na qual é chefe do comercial. Com a fusão do empreendimento com uma organização maior, após dificuldades nos últimos anos nesse concorrido mercado, uma disputa é instaurada entre os próprios funcionários durante um retiro de integração.
Inserido quase despercebido no catálogo da líder dos streamings nesta semana, o projeto dirigido por Diego Nuñez Irigoyen caminha no xadrez humano, no por trás das aparências, expondo todo tipo de sentimento conflitante que surge quando alguém se vê diante de uma ruptura na acomodação de seu emprego.
De uma forma leve e divertida, refletimos sobre direitos trabalhistas e as linhas tênues das relações interpessoais, em perspectivas que vão se abrindo, mesmo que de forma acelerada, para além da protagonista. Tem funcionário antigo com medo de perder qualquer benefício perto da aposentadoria, um diretor de marketing que escorrega na sua posição pois está apaixonado pela estagiário, e outras várias situações que começam a aparecer e se somam ao recheio da trama.
Dos interesses escondidos às lições que surgem quando o egocentrismo se coloca como obstáculo para um ganho coletivo, Vamos, Time! tinha tudo para ser mais profundo do que é, mas prefere o caos cômico, uma fórmula de atrair o público que, pelo menos, chega com eficiência pelas entrelinhas dos exageros, consolidando-se como um passatempo com alguns bons momentos.
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