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Djamila Ribeiro critica demora na decisão sobre aborto: 'Debate econômico'

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Djamila Ribeiro critica demora na decisão sobre aborto: 'Debate econômico'

Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A filósofa e escritora Djamila Ribeiro criticou a resistência, inclusive entre setores progressistas, em levar o debate sobre o aborto para a agenda política. Para ela, a discussão é frequentemente tratada como uma questão moral, quando deveria ser encarada também sob a perspectiva econômica e social.

Ao falar no Alt Tabet , do Canal UOL, sobre o relançamento de seu livro 'Lugar de Fala', publicado originalmente em 2017, ela afirmou que os ataques aos direitos das mulheres se radicalizaram e citou a resistência em discutir o direito sexual e reprodutivo como um dos exemplos.

Eu trago uma crítica aos próprios governos progressistas em relação ao debate do aborto no Brasil. Para a mulher é um eterno "na volta a gente compra". Tem que enfrentar, e não se debate. Você tem um país do tamanho do Brasil em que os representantes progressistas se negam sequer a pautar o debate do aborto. E a gente sabe qual é a consequência disso. Muitas vezes os progressistas vão dizer: "Ah, mas isso é uma pauta moral". Eu falo: "Não, gente, aborto é um debate econômico." Djamila Ribeiro

Ribeiro afirmou que o rótulo de pautas "identitárias" aparece tanto à direita quanto à esquerda e que isso funciona como um "espantalho" para evitar discussões sobre raça e direitos das mulheres, inclusive dentro do campo progressista.

Para ela, o tema do aborto se conecta a decisões que afetam o mercado de trabalho e a Previdência, porque envolve a possibilidade de escolha sobre a maternidade e a dinâmica demográfica de um país.

Se as mulheres tiverem escolhas e decidirem não parir, quem vai gerar mão de obra para ser explorada pelo capitalismo? Por que países como o Japão, que tem uma taxa baixíssima de natalidade, e a Coreia do Sul estão superpreocupados com isso? Isso é a quebra da Previdência. Djamila Ribeiro

A filósofa também disse ver aumento e radicalização do discurso de ódio contra as mulheres, inclusive em grupos mais jovens, e citou a atuação de setores da política que tentam "cercear ainda mais" direitos já limitados no país.

Ela defende que pautas de gênero e raça sejam tratadas como estruturais e entrem no centro de políticas públicas, com orçamento e integração a áreas como habitação, saúde e educação.

Não é só criar um Ministério das Mulheres e da Igualdade Racial com pouco orçamento para dar conta dessa pauta. Tem que discutir gênero na habitação. Se várias mulheres não saem do relacionamento violento porque não têm para onde ir, discutir habitação é discutir a pauta das mulheres. Djamila Ribeiro

Toda quinta, Antonio Tabet conversa com personagens importantes da política, esporte e entretenimento. Os episódios completos ficam disponíveis no Canal UOL e no Youtube do UOL .

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