O meio ambiente que não cabe nas emendas parlamentares
O mês de julho de 2026 reuniu acontecimentos que demonstraram como os riscos ambientais e climáticos já fazem parte do cotidiano das populações brasileiras. No Rio Grande do Sul, chuvas intensas voltaram a atingir municípios ainda marcados por desastres anteriores, enquanto um tornado percorreu áreas rurais de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho em 28 de julho, provocando danos em moradias, propriedades e estruturas locais. Dias antes, uma tempestade com rajadas de até 120 quilômetros por hora havia atingido Ribeirão Preto, causando uma morte, deixando dezenas de feridos e desalojando centenas de famílias, além de derrubar grande quantidade de árvores e provocar extensos danos à infraestrutura urbana. Ventos violentos também atingiram São Paulo e o Rio de Janeiro no final do mês, causando destruição, interrupções no fornecimento de energia e cinco mortes. Esses acontecimentos ocorreram em um período no qual as projeções climáticas já indicavam a intensificação do El Niño, com alta probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade forte ou muito forte entre agosto e dezembro, elevando os riscos de temperaturas extremas, alterações no regime de chuvas e incêndios florestais em diferentes regiões do país.
Diante desse cenário, a distribuição das emendas parlamentares ao Orçamento da União de 2026 oferece uma medida concreta da distância entre a importância pública atribuída à crise ambiental e o espaço efetivamente reservado ao tema nas decisões políticas. Segundo levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), dos R$ 26,56 bilhões destinados a essa modalidade de emenda, deputados e senadores direcionaram aproximadamente R$ 154 milhões para 97 ações relacionadas ao meio ambiente e ao clima, o equivalente a apenas 0,58% do total. Em um país submetido a incêndios florestais, secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e perda acelerada de biodiversidade, essa proporção mostra que a proteção ambiental continua recebendo atenção reduzida na distribuição dos recursos controlados diretamente pelo Congresso.
Discursos, pronunciamentos e compromissos internacionais ajudam a compor a imagem pública das instituições, mas é no orçamento que as escolhas políticas produzem consequências materiais.
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