Atendimento aos povos indígenas vai além dos sintomas, diz médica
Como um país com mais de 270 línguas faladas por etnias originárias , o Brasil enfrenta desafios no a tendimento médico a populações indígenas que vão além do diagnóstico tradicional.
Realizar uma anamnese eficaz nesses casos exige reconhecer que os conceitos de saúde, doença e cura variam de acordo com a cultura de cada paciente.
Entre diferentes povos originários, a saúde está integrada ao equilíbrio entre corpo, comunidade, espiritualidade e território, a exemplo dos Parkatêjê , que expressam essa busca pelo conceito de Atỳi, associado ao “bem viver”.
Aline Diniz, médica indígena da etnia Nawa e docente da Afya, afirma que compreender a linguagem e o contexto do paciente é determinante na avaliação clínica.
Leia Mais Brasil divide 80% dos casos das doenças tropicais negligenciadas do mundo Malária: quais são os sintomas e como tratar? Uma em cada 60 pessoas agora está infectada com HIV, enquanto a crise de drogas alimenta o surto nesse pequeno país insular Tive uma paciente que descreveu uma forte dor de cabeça como ‘ficar doida’.
Se eu tivesse interpretado essa expressão literalmente, poderia ter chegado a uma compreensão equivocada da queixa.
Foi a partir da construção de vínculo e de uma escuta mais aprofunda que consegui compreender o significado que ela atribuía ao sintoma e direcionar melhor a avaliação clínica. diz a médica.
Ela também destaca a importância de evitar a generalização das etnias no atendimento, já que tratar diferentes povos como se tivessem a mesma cultura ou necessidades gera desconfiança e pode resultar em diagnósticos mal aceitos.
Para a médica, o conhecimento prévio e a sensibilidade cultural devem ser estimulados ainda na graduação, preparando profissionais para oferecer um cuidado adaptado à realidade de cada território.
A escuta como prevenção de crises O cuidado com a diversidade resulta em atendimento de qualidade , necessário para evitar crises sanitárias como a enfrentada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, há três anos.
Em janeiro de 2023, o governo declarou “Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional” devido à desassistência sanitária dos povos que viviam no território Yanomami.
Os indígenas foram encontrados desnutridos e infectados por doenças.
Entre os dias 24 e 27 de dezembro de 2022, três crianças morreram por malária e o ano inteiro registrou 11.530 casos pela doença.
Essa crise tem apresentado reduções significativas neste ano.
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