Ossos descobertos no estreito de Taiwan ampliam mistério sobre denisovanos
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Professora associada de paleoecologia na Universidade de Bournemouth (Reino Unido)
Dê um passeio pela Trafalgar Square de Londres e você verá pessoas de todos os tipos de estatura, algumas altas, outras baixas: uma verdadeira mistura de tamanhos.
Escolher apenas duas pessoas da multidão para representar toda a espécie humana seria uma tarefa difícil. Mas é exatamente isso que fazemos quando encontramos fósseis de hominínios (parentes dos humanos modernos).
Os antropólogos podem estimar a altura de uma pessoa com precisão razoável a partir dos ossos longos —o fêmur (osso da coxa) funciona bem para isso. Em média, o tamanho desse osso corresponde bem à altura total, considerando uma amostra grande de ossos.
Foi exatamente isso que um grupo de cientistas fez usando fósseis retirados do fundo do mar na costa de Taiwan . Para aumentar o mistério, esses ossos pertencem aos denisovanos, uma das espécies mais enigmáticas de hominínios.
Os denisovanos eram uma espécie amplamente disseminada do gênero Homo (que abrange nossa própria espécie, bem como parentes próximos, como os neandertais). Inicialmente, eles eram conhecidos apenas por sequências genéticas extraídas de fragmentos isolados de material, como um pequeno osso do dedo encontrado na caverna de Denisova, nas Montanhas Altai, na Sibéria .
A aparente ausência de material fóssil substancial dessa espécie os tornava misteriosos, embora, nos últimos anos, novas descobertas tenham ampliado nosso entendimento. Entre elas está o crânio do Homem Dragão (ou Harbin) , recuperado de um rio no nordeste da China. A análise de DNA e proteínas agora relacionou esse grande crânio aos denisovanos .
A característica notável dos fósseis analisados por Yousuke Kaifu, da Universidade de Tóquio, e seus colegas é que eles foram dragados do canal de Penghu, no estreito de Taiwan.
A maioria dos fósseis raros de hominínios é cuidadosamente escavada, permitindo que os pesquisadores registrem sua posição exata nas camadas de sedimentos e sua relação com animais, artefatos e evidências ambientais associados.
Os ossos analisados no novo estudo, por outro lado, foram recuperados do leito marinho entre os restos fossilizados de mamíferos terrestres da era glacial, provavelmente depositados quando o nível do mar expôs o canal como terra firme, por volta da época em que a era glacial estava em seu auge. Seus locais exatos de descoberta e contextos geológicos não foram registrados.
Isso torna os fósseis cientificamente incomuns: sua anatomia e as proteínas preservadas contêm evidências valiosas. Mas grande parte das informações contextuais normalmente fornecidas por uma escavação arqueológica foi perdida.
Os ossos —um fêmur (osso da coxa) e uma tíbia (o maior osso da perna) incompletos — foram atribuídos a dois denisovanos com base em análises de seus proteomas antigos recuperados. Um proteoma é o conjunto de proteínas preservadas dentro de um fóssil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.