Vendedor de limão no Ceasa construiu rede de bares que faturou 37 milhões
Quando era adolescente, o empresário Gustavo de Paiva Jáccomo, 34 anos, quebrou o vidro de uma guarita de segurança. A traquinagem, claro, não agradou sua mãe.
Para pagar o prejuízo, ela mandou o filho, que na época tinha 12 anos, a ajudar no box da família na Ceasa, em Curitiba (PR), especializado na venda de limões. O garoto levantou o dinheiro para bancar o conserto da guarita, mas gostou da rotina e não parou de trabalhar. Continuou no box por quase dez anos, ajudando nas vendas e, quando se tornou adulto, na gestão do negócio.
Enquanto lidava com a venda da fruta (atividade que, segundo ele, ajudou melhorar a forma como se relacionava com pessoas), ele se formou em design digital e nunca abandonou a vontade de ter um negócio próprio. Gustavo Jáccomo teve não só um, mas seis empreendimentos ao longo de seis anos.
Algumas ideias não foram para frente, outras deram certo. Conseguiu um investimento aqui, perdeu dinheiro acolá, aprendeu na prática o que funciona e o que não funciona até que, em 2017, nasceu o Janela Bar, em Curitiba.
O negócio começou em um espaço de apenas 40 metros quadrados, nos fundos de um restaurante, que servia como depósito de entulho, com cadeiras quebradas e objetos sem uso.
A proposta era simples: oferecer drinques autorais a preços acessíveis. Enquanto bares da capital paranaense cobravam entre R$ 40 e R$ 50 por um coquetel, o Janela vendia os seus por R$ 15.
A estratégia funcionou. O pequeno bar cresceu e, no ano passado, faturou R$ 36,7 milhões.
O investimento inicial no Janela Bar foi de R$ 150 mil. Para levantar os recursos, Gustavo e seu sócio Pedro Smolka, 35, que conheceu nos treinos de CrossFit, montaram uma apresentação no PowerPoint com o projeto e saíram em busca de investidores.
Conseguiram um aporte de R$ 60 mil de um investidor, complementaram o valor com recursos próprios e também recorreram a empréstimos com amigos.
"Por sorte, como a gente já tinha construído um networking, conseguimos em uma semana os recursos que levamos nove meses para obter em outro bar que montei (parte daquela lista de seis empresas que Jáccomo teve antes do Janela). Encontramos três pessoas interessadas no projeto", conta.
A maior parte do investimento foi destinada à reforma e preparação do espaço. O grupo precisou cuidar da decoração e da estrutura do bar. Uma parcela também foi usada para marketing e capital de giro.
O negócio ainda ganhou outro sócio: Felipe Andrade, 34, que atua como diretor operacional.
Hoje, o Janela tem 25 unidades espalhadas pelo Brasil. Além da coquetelaria, a rede trabalha com hambúrgueres e chope artesanal. O caminho até construir uma operação multimilionária, porém, não foi simples. Segundo Jáccomo, o principal desafio foi abrir negócios sem ter capital.
Na época em que buscava viabilizar os empreendimentos, ele acumulou dívidas. Entre um negócio e outro, chegou a dever mais de R$ 20 mil a um banco digital. "Eu parcelei e paguei tudo, mas não posso nem ter conta mais lá", afirma, dando risada.
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