O que vai na sua xícara: um mergulho na composição química dos grãos de café brasileiros
Claudia Moraes de Rezende é cientista do Nosso Estado pela Faperj, Bolsista de Produtividade pelo CNPq e Professora Titular do Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O texto abaixo foi publicado no The Conversation .
O Brasil é o primeiro produtor mundial de grãos crus de café .
Em torno de 70% de nossa produção é do café arábica, e o restante do canéfora.
O café arábica é conhecido por proporcionar cafés especiais, em geral mais apreciados do que os gerados pelo canéfora .
Esta abundância de matéria prima torna a semente do café um material interessante para a pesquisa científica no Brasil.
O interesse vai desde aspectos agrícolas de plantio e pós-colheita, até estudos mais detalhados sobre sua composição química e o possível aproveitamento desses compostos em áreas diversas.
Química dos cafés A classe química mais abundante nos grãos de café é a de carboidratos , seguido de uma rica fração lipídica , a qual dá origem ao óleo de café.
Este óleo possui até 70% de triglicerídeos , muitos com atividades antioxidantes bem conhecidas, tornando-o um produto de uso na cosmética .
Além disso, impacta positivamente na espuma da bebida, aumentando sua cremosidade.
Continua após a publicidade Ao lado dos triglicerídeos, há um grupo expressivo de metabólitos da classe dos diterpenos .
Estas moléculas ocorrem esterificadas gerando 24 derivados, mas são representadas por dois compostos apenas, que são os diterpenos cafestol e caveol .
Sobre estas substâncias químicas, há estudos diversos sobre sua ação antitumoral , entre outras, mas destaca-se a ação hipercolesterolêmica do cafestol .
Turca, prensa francesa, espresso ou coado A atividade comprovada e negativa do cafestol sobre o aumento do colesterol LDL tem respaldo científico e tem sido assunto na mídia , e é obviamente preocupante.
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