Cezinha de Madureira, que articulou reunião de Mendonça e Vorcaro, tinha contrato para comprar parte do instituto do ministro
A Polícia Federal (PF) encontrou, durante operações de busca e apreensão autorizadas pelo ministro Flávio Dino em 14 de setembro, um contrato de opção de compra futura de 4% de participação no Iter , instituto jurídico fundado pelo ministro do STF André Mendonça em novembro de 2023, assinado pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) .
O documento foi apreendido no material recolhido contra Cezinha e a advogada Valéria Linhares, alvos de investigação que apura suspeita de comercialização de influência junto a ministros de tribunais superiores.
A revelação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo .
LEIA TAMBÉM: Quem é Cezinha da Madureira, amigo de Mendonça alvo da PF O contrato e a investigação O contrato de opção de compra futura foi localizado pela PF como parte da terceira fase da Operação Transparência, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis práticas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de “valores expressivos”, condicionados ao resultado de processos em andamento, sob o argumento de que poderiam influenciar decisões judiciais.
Cezinha de Madureira figura entre os principais alvos da ação.
A assessoria de André Mendonça afirma que Cezinha não foi e nunca poderá ser sócio do Iter enquanto estiver na política.
Segundo a explicação apresentada, o contrato de opção de compra futura só seria efetivado caso o parlamentar deixasse a atividade política, o que estava previsto para 2027.
Cezinha teria depositado ao ministro R$ 19.353 como caução, valor correspondente a 1% da participação prevista; os 3% restantes seriam adquiridos de outros sócios do instituto.
A explicação, porém, não encerrou os questionamentos.
O ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o encontro de Mendonça com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mediado por Cezinha, e atos jurídicos de Mendonça relacionados sejam apurados.
Dino afirmou considerar haver “quadro indiciário suficientemente relevante” para que as atitudes do ministro sejam analisadas pela corte.
Relações suspeitas, Vorcaro e tráfico de influência O contrato não é o único elemento que conecta Cezinha de Madureira ao entorno do Judiciário.
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