Negociação de debêntures incentivadas cresce 24% no ano
As emissões de debêntures incentivadas (títulos de crédito privado com isenção de imposto de renda desde que financiem setores específicos, como infraestrutura) voltaram a crescer em julho, depois do recuo de junho.
Mas foi na negociação dos papéis já emitidos, o chamado mercado secundário, onde o setor mostrou mais força.
As negociações somaram R$ 247,7 bilhões nos sete primeiros meses do ano, alta de 24% ante o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Só em julho, o giro chegou a R$ 28,8 bilhões.
Na emissão de novos papéis, as captações totalizaram R$ 6,8 bilhões em julho, avanço de 9,9% sobre os R$ 6,2 bilhões de junho.
O ritmo, porém, segue bem distante do visto um ano antes: o volume é 52,2% menor que os R$ 14,2 bilhões emitidos em julho de 2025.
No acumulado de janeiro a julho, as ofertas alcançaram R$ 71,9 bilhões, ante R$ 88,8 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.
A energia elétrica continua concentrando a demanda: o setor respondeu por R$ 39 bilhões das emissões de 2026, cerca de 54% de tudo o que foi captado.
Para o investidor, o recado é que a menor oferta de papéis novos não significa perda de interesse.
"Os números sugerem que, mesmo em um ambiente menos favorável para novas emissões do que o observado nos últimos anos, os papéis já emitidos continuam apresentando elevada liquidez, encontrando espaço nas carteiras dos investidores e mostrando a profundidade do nosso mercado", afirmou Erika Lacreta, gerente de mercado de capitais da Anbima.
Entre os compradores da emissão primária, intermediários e demais participantes ligados à distribuição responderam por 61,5% das alocações em 2026, enquanto os fundos de investimento ficaram com 30,7% do volume.
Em rentabilidade, o IDA-IPCA Infraestrutura, índice da Anbima que acompanha o desempenho das debêntures incentivadas, acumulou retorno de 8,62% até julho.
Infraestrutura vai ao mercado de capitais O desempenho dos papéis incentivados está ligado à agenda de investimentos em infraestrutura do país, área em que o setor privado já responde por 83,9% dos aportes, contra 16,1% de origem pública.
O Brasil investe hoje cerca de 2,2% do PIB em infraestrutura e busca chegar a perto de 4% nos próximos anos, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.