Compulsão alimentar está ligada a ultraprocessados, indica estudo
Ao analisar 41 estudos publicados entre 1973 e 2025, pesquisadores dos Estados Unidos observaram que produtos ultraprocessados estão associados à maioria dos casos de compulsão alimentar.
Segundo a revisão, publicada no International Journal of Eating Disorders, cerca de 70% dos alimentos consumidos durante episódios de compulsão são ultraprocessados, enquanto apenas 15% são minimamente processados.
Nenhum estudo mostrou compulsão apenas com alimentos in natura, como frutas e hortaliças.
Os mais consumidos nos episódios do transtorno são bolo, sorvete, biscoitos, chocolate, pizza e salgadinhos.
A compulsão alimentar é caracterizada por episódios recorrentes — pelo menos uma vez por semana, durante três meses — de ingestão de grandes quantidades de comida, acompanhados de sensação de perda de controle.
“Para fins diagnósticos, é importante observar o contexto em que essa ingestão ocorre, além da frequência e do sofrimento emocional associado”, explica a psicóloga Patrícia Cristina Gomes, especialista em transtornos alimentares do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.
Estima-se que o transtorno afete entre 1% e 3% da população.
Uma pessoa com essa condição pode consumir até 5 mil calorias em um único episódio.
Para se ter ideia, a média diária recomendada para a população geral fica entre 1.800 e 2 mil calorias.
Embora fatores psicológicos continuem centrais, o estudo chama atenção para o papel dos próprios alimentos.
“Não é só uma questão de ‘falta de controle’ ou preferência.
Os ultraprocessados têm características que favorecem o consumo excessivo, como serem muito palatáveis, combinarem açúcar e gordura, serem absorvidos rapidamente e ativarem o sistema de recompensa”, diz Gomes.
Algumas pessoas são mais sensíveis a esses estímulos, o que aumenta o risco de compulsão.
Além disso, situações de estresse, ansiedade e tristeza também favorecem a busca por esse tipo de comida.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.