Milei ampliou vigilância em massa dos argentinos, diz Anistia Internacional
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa durante uma cerimônia que marca o 34º aniversário do atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires, que matou 29 pessoas e feriu 200, na Praça da Embaixada de Israel, em Buenos Aires.
JUAN MABROMATA / AFP Em seus dois primeiros anos, o governo de Javier Milei ampliou as capacidades de vigilância em massa na Argentina, criando um efeito inibidor sobre os direitos à privacidade, à liberdade de expressão e à realização de protestos pacíficos.
Um relatório da Anistia Internacional documenta como o governo incrementou, por meio de reformas institucionais, a coleta de informações e seus mecanismos de monitoramento em massa dos argentinos.
De acordo com a entidade de direitos humanos, o governo investiu, entre 2024 e 2025, pelo menos US$1,2 milhão em novas tecnologias, como rastreamento de mídias sociais, reconhecimento facial e equipamentos de vigilância aérea.
São projetadas para coletar, verificar e visualizar grandes volumes de dados de mídias sociais, sites, dark web e outros bancos de dados públicos.
Com o título de “Estado de Vigilância: A Expansão do Uso de Tecnologias de Vigilância em Massa pelo Governo da Argentina", o relatório demonstra que estas aquisições incluem 69 drones e 11 estações de controle terrestre com recursos de rastreamento automatizado, câmeras térmicas e transmissão de imagens em tempo real.
Somente no ano passado, 300 protestos foram registrados no país, num ambiente de insatisfação devido basicamente aos cortes nos gastos públicos, ao endividamento e às reformas trabalhistas.
Para a diretora-adjunta da Anistia Internacional Argentina, Paola Garcia Rey, o uso generalizado de ferramentas de vigilância tem efeitos devastadores e forma uma rede de controle estatal que busca desencorajar protestos e limitar vozes dissidentes.
“Quando as autoridades buscam se esquivar do escrutínio público, aqueles que questionam ou exigem respostas podem se tornar alvos de diversas formas de vigilância, controle e repressão, aprofundando as práticas autoritárias", afirma.
Agora no g1 Para elaborar o relatório de 64 páginas, a Anistia Internacional ouviu 21 pessoas, entre jornalistas, ativistas e aposentados, e mergulhou na análise de documentos de compra das tecnologias de vigilância.
O pesquisador e consultor em Inteligência Artificial e Direitos Humanos da organização, Matt Mahmoudi, observa que a Argentina não é um caso isolado: “Em todo o mundo, Estados que implementam práticas autoritárias estão ampliando o uso de tecnologias de vigilância, que se tornaram parte integrante da infraestrutura de controle estatal contra defensores de direitos humanos, jovens, imigrantes, grupos marginalizados e deslocados e dissidentes.
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