Aplicação da reciprocidade contra os EUA não sai antes do fim do ano, diz ministro
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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa , afirmou que a aplicação da Lei de Reciprocidade não deve ser concluída até dezembro. O governo Lula informou na última quinta (13) aos Estados Unidos que iniciaria o processo de reciprocidade ao tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.
"Não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade, mas a minha expectativa é de que a gente consiga negociar e resolver ou pelo menos aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano", afirmou Rosa.
O ministro participou de um evento promovido pelo Instituto Esfera com o laboratório farmacêutico EMS, nesta quarta-feira (19), e conversou com jornalistas. De acordo com Márcio Elias Rosa, os ministérios agora coletam informações sobre o tarifaço para apresentá-las em 60 dias.
Após essa consulta aos ministérios, as informações serão passadas ao Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), para elaboração de um relatório. Nessa primeira fase, o governo brasileiro também faz consultas diplomáticas antes de lançar mão das retaliações.
A legislação permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras consideradas injustificadas aos produtos brasileiros.
Estão previstas, por exemplo, a limitação de importações de bens e serviços, a retaliação direta por meio de tarifas, a reavaliação de obrigações em acordos de propriedade intelectual e a suspensão de concessões comerciais e de investimentos.
Questionado se considera o tarifaço imposto pelos Estados Unidos como uma tentativa de interferência dos EUA na eleição brasileira, Rosa minimizou. Ele disse que trata-se de "uma barreira tarifária ao comércio com o Brasil, que é ilegal e indevido".
Apesar disso, o ministro insistiu que o Brasil seguirá tentando resolver o impasse com a Casa Branca. "Eu acho que a nós temos que negociar com os Estados Unidos a superação dessa barreira, que é ilegal, é indevida, e ao mesmo tempo nos defender porque ela é abusiva e causa danos para o país", comentou.
Por outro lado, o tarifaço dos Estados Unidos também se tornou assunto na campanha eleitoral. O presidente Lula (PT) tem abordado o tema e, na crise mais recente, avisou que só avaliaria a indicação do embaixador do país no Brasil depois da eleição.
No contexto eleitoral, a crise piorou em julho, quando os EUA tentaram enviar ao Brasil dois assessores para questionar a eleição. O Itamaraty rejeitou os vistos .
À Folha integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão de negar o visto foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.
Apesar disso, Rosa diz que as conversas podem seguir antes da eleição. "Eu não vinculo negociação, superação disso ao calendário eleitoral.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Poder.