Pessoa física ‘some’ de parte do mercado cripto, mas empresas movimentam bilhões; entenda
Os brasileiros movimentaram R$ 283 bilhões em criptomoedas no primeiro semestre de 2026, 21% a mais que no mesmo período do ano passado, de acordo com os dados mais recentes da Receita Federal.
Mas o crescimento esconde um movimento curioso: em uma parte relevante dessas transações, as pessoas físicas praticamente desapareceram — e as empresas ocuparam cada vez mais espaço.
Cerca de 60% de todo esse dinheiro passou pelas plataformas de negociação direta (as exchanges) brasileiras, que concentraram R$ 178 bilhões.
É nos 40% restantes do bolo que a mudança fica evidente.
Nas exchanges estrangeiras, pessoas físicas declararam à Receita Federal que transacionaram apenas R$ 716 milhões entre janeiro e junho, uma redução de 68% em um ano.
Nas operações feitas sem uso de uma exchange — categoria que inclui negociações diretas entre duas partes, conhecidas como peer-to-peer (P2P) — o tombo chegou a 90%, de mais de R$ 2 bilhões para meros R$ 226 milhões.
Com as empresas aconteceu exatamente o contrário.
Os CNPJs movimentaram R$ 39 bilhões em plataformas estrangeiras, quase 30% a mais que um ano antes.
E outros R$ 65,5 bilhões foram declarados em operações sem passar por exchanges, um salto de 58%.
Nesse último canal, as empresas responderam por 99% de todo o dinheiro movimentado.
Para onde foi a pessoa física? A queda da movimentação declarada pelas pessoas físicas não significa necessariamente que o brasileiro tenha abandonado os criptoativos.
Guilherme Bissoli, diretor regional da Coins.xyz, lembra que o primeiro semestre de 2026 também foi marcado por forte retração da negociação à vista no mercado global.
Ao mesmo tempo, outras formas de operar ganharam espaço, como plataformas descentralizadas e mercados de derivativos.
“A busca por autonomia, alavancagem e acesso a outros mercados pode influenciar essas escolhas”, afirma.
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