Diretor da CIA foi a Moscou para apelar que Putin não ataque Otan, diz jornal
O diretor da CIA , John Ratcliffe , surpreendeu o mundo ao fazer uma viagem secreta a Moscou nesta semana.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a importância da primeira visita de um chefe da agência de inteligência à Rússia desde o início da guerra na Ucrânia (“foi semirrotina”).
Mas informações reveladas pelo jornal The Wall Street Journal indicam que o objetivo de Ratcliffe era bastante claro: alertar o país de Vladimir Putin contra qualquer ataque a países da Organização do Tratado do Atlântico Norte ( Otan ), especialmente Estônia , Letônia e Lituânia .
Em reportagem divulgada na quarta-feira 26, o WSJ relatou, com base em fontes não identificadas, que o objetivo da visita foi dissuadir Moscou de “testar” a aliança militar.
O alerta de Ratcliffe teria sido motivado por novas avaliações de inteligência que apontam para a possibilidade de Putin tentar medir até que ponto os países da Otan estariam dispostos a reagir a uma agressão russa.
O chefe da CIA também aproveitou a passagem pela capital russa na terça-feira, 25, para pressionar Moscou a reduzir o apoio militar e econômico ao Irã .
De acordo com uma das fontes consultadas pelo jornal americano, Ratcliffe pediu que a Rússia interrompa o fornecimento de armas e tecnologia de defesa a Teerã.
Ele também aconselhou o governo Putin a não reagir de forma desproporcional caso seja atingido pelas sanções americanas contra países que mantêm relações econômicas com a república islâmica.
Continua após a publicidade O Kremlin, por sua vez, classificou como “histórias alarmistas” as informações da imprensa americana de que a visita teve como objetivo dissuadir a Rússia de atacar a Otan.
“Estão sendo divulgadas muitas notícias alarmistas.
É claro que isso não tem nada a ver com a realidade nem com as intenções da Rússia”, declarou o porta-voz Dmitry Peskov, acrescentando que Ratcliffe não se encontrou com Putin.
Continua após a publicidade Escalada das hostilidades A visita ocorreu em um momento em que Rússia e Ucrânia intensificaram ataques de longo alcance em seus respectivos territórios, em uma escalada de hostilidades que parece deixar o final da guerra ainda mais distante.
Enquanto bombas mataram um número recorde de civis ucranianos no mês passado, com as forças russas se aproveitando de deficiências nos sistemas de defesa, as incessantes incursões de drones contra refinarias russas, portos e demais ativos do complexo petrolífero provocaram escassez significativa de combustível e deixam a população, em especial na capital, cada vez mais apreensiva.
Alguns analistas apontam que Putin pode, em resposta, ampliar o conflito com ações militares contra os países bálticos da Europa ou outros membros da Otan, o que poderia desencadear uma nova crise.
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