Intervenção encontrou R$ 415 mil em caixa para pagar R$ 1 milhão em salários
A intervenção da Prefeitura de Campo Grande no Consórcio Guaicurus encontrou uma situação de extrema fragilidade financeira, com apenas R$ 415,1 mil disponíveis em caixa para uma folha de pagamento de R$ 1,03 milhão que venceria quatro dias depois.
O cenário registrado no dia 16 de junho de 2026 também incluía praticamente todo o limite de crédito bancário utilizado e estoque de óleo diesel em nível considerado crítico para a continuidade da operação.
Os dados constam do Relatório Preliminar da Intervenção no Contrato de Concessão nº 330/2012, entregue nesta terça-feira (22) à Prefeitura e à Câmara Municipal.
O documento, de 177 páginas, apresenta o diagnóstico elaborado pela equipe que assumiu a gestão do transporte coletivo urbano de Campo Grande e aponta uma série de problemas financeiros, operacionais e de governança.
Segundo o relatório, a equipe de intervenção tomou posse em 16 de junho, quando encontrou R$ 415.198,44 somados nas contas bancárias das empresas consorciadas.
Desse total, R$ 147.679,28 estavam no Bradesco e R$ 267.519,16 no Sicredi.
No Santander, o saldo era zero.
Naquele momento, porém, havia um compromisso imediato de R$ 1.035.784,72 referente ao adiantamento salarial dos trabalhadores, com vencimento no dia 20 de cada mês.
Ou seja, o dinheiro disponível representava cerca de 40% do valor necessário apenas para cumprir aquele compromisso salarial.
O relatório descreve a situação como de “extrema fragilidade financeira e operacional”.
Além da falta de dinheiro em caixa, o crédito disponível para as empresas também estava praticamente esgotado.
As linhas de Conta Garantida contratadas junto ao Bradesco e ao Santander somavam R$ 11,8 milhões.
Desse limite, R$ 11,73 milhões já haviam sido utilizados, equivalente a aproximadamente 99% do total.
Apenas em juros em aberto da Conta Garantida do Bradesco havia R$ 233.127,31.
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