Depois que dois companheiros morreram durante uma expedição na Antártida, ele atravessou sozinho cerca de 160 quilômetros de gelo, fome e temperaturas extremas até conseguir retornar à base
Depois das mortes de Ninnis e Mertz, o explorador australiano enfrentou aproximadamente 30 dias sozinho para alcançar Cape Denison
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em 1912, uma jornada científica pela Antártida transformou-se em uma luta extrema pela sobrevivência. Depois de perder seus dois companheiros, Douglas Mawson ficou sozinho a cerca de 160 quilômetros da base de Cape Denison, debilitado, com pouca comida e cercado por campos de gelo repletos de fendas ocultas. O retorno demoraria aproximadamente mais um mês.
Mawson partiu de Cape Denison em 10 de novembro de 1912 acompanhado pelo tenente Belgrave Ninnis e pelo suíço Xavier Mertz. A chamada Far Eastern Party pretendia explorar e mapear áreas a leste da base durante a Australasian Antarctic Expedition, viajando com trenós e cães por uma região praticamente desconhecida.
Em 14 de dezembro, quando estavam aproximadamente 500 quilômetros distantes da base, Ninnis caiu em uma enorme fenda no gelo junto com um trenó, cães e grande parte dos suprimentos. Mawson e Mertz perderam comida, equipamentos e parte fundamental da estrutura necessária para retornar com segurança.
Mawson e Mertz iniciaram imediatamente a longa volta, reduzindo rações e sacrificando progressivamente os cães restantes para obter alimento. Mertz começou a apresentar fraqueza intensa e outros sintomas graves. A causa exata continua discutida, envolvendo fome, esforço extremo e possível intoxicação por vitamina A presente no fígado dos cães.
O documentário Mawson: Science and Survival reconstrói diretamente a expedição de Douglas Mawson e sua tentativa de retornar vivo após a morte dos companheiros.
Mertz morreu em 8 de janeiro de 1913. Poucos dias depois, Mawson cortou seu trenó ao meio para reduzir o peso, abandonou tudo que considerou dispensável e partiu carregando apenas equipamentos essenciais, registros científicos e pequenas quantidades de comida.
O avanço era extremamente lento. Seus pés estavam severamente lesionados, partes da pele se soltavam e ele apresentava sinais de desnutrição e congelamento. Mesmo nessas condições, percorreu os aproximadamente 160 quilômetros restantes durante cerca de 30 dias, puxando sozinho o trenó.
As fendas escondidas sob a neve eram uma ameaça constante. Em determinado momento, Mawson também caiu em uma delas e ficou pendurado pela corda ligada ao trenó. Conseguiu subir novamente depois de grande esforço, apesar da debilidade física acumulada durante semanas.
Nos últimos estágios da viagem, uma ajuda inesperada foi decisiva. Uma equipe de busca havia deixado um depósito de suprimentos em seu caminho, permitindo que Mawson encontrasse comida quando seu estado físico já era crítico. Ainda precisou enfrentar novos períodos de mau tempo antes de completar a jornada.
Segundo o Australian Antarctic Program , Mawson permaneceu sozinho durante aproximadamente 30 dias depois da morte de Mertz. Mesmo debilitado, insistiu em levar consigo registros e espécimes científicos obtidos durante a expedição.
Mawson alcançou Cape Denison em 8 de fevereiro de 1913. Do alto, viu o navio Aurora afastando-se no horizonte: havia perdido a embarcação por apenas algumas horas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.