A fala de Lula no JN que mais causou irritação na TV Globo
A aguardada sabatina com o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, transmitida pelo Jornal Nacional na noite de quint-feira (27), acabou convertida em um dos episódios mais tensos da relação recente entre o Palácio do Planalto e a TV Globo nos últimos anos.
Do ponto de vista de boa parte do público, de analistas políticos e até mesmo de jornalistas veteranos, incluindo ex-integrantes de peso da própria emissora, o formato adotado na entrevista esteve longe do escrutínio republicano tradicional.
O tom empregado pela bancada aproximou-se muito mais de um interrogatório inquisitorial típico de regimes de exceção do que de uma entrevista democrática com um postulante ao cargo máximo da nação.
Apesar da postura abertamente beligerante dos entrevistadores, Lula valeu-se de sua longa bagagem política para contornar o cerco.
Conseguiu levar a situação “na flauta”, equilibrando firmeza institucional com respostas contundentes, repletas de analogias e resgates históricos do passado recente.
Contudo, em meio às interrupções e ao clima de forte atrito, uma manifestação em particular no bloco intermediário provocou uma onda de indignação nos bastidores da direção do maior grupo de mídia do país: a crítica direta, ainda que contextualizada no debate, ao apoio irrestrito dado pela imprensa corporativa, com destaque histórico para a própria Globo, aos excessos e ilegalidades cometidos pela Operação Lava Jato.
O estopim para a declaração ocorreu durante a insistente abordagem sobre Fábio Luís Lula da Silva.
Trata-se de um episódio em que a mídia hegemônica convencionou utilizar o apelido pejorativo de “Lulinha” em uma tentativa desproporcional de atingir a figura do presidente.
Ao responder sobre as insinuações que pairam sobre o filho, baseadas unicamente em conversas de terceiros e sem qualquer indício de ato ilícito, Lula iniciou sua fala demarcando uma postura estritamente republicana e de respeito às instâncias de investigação: “Não tem nenhuma acusação, tem ilações tiradas de telefonemas.
Eu conheço isso muito bem porque já vivi.
Eu não sou do Ministério Público, não sou da polícia, eu sou presidente.
Eu não vou afastar delegado como outros fizeram.
Ele [Fábio] sabe o que eu passei, o que a Marisa [Letícia] passou com a Lava Jato.
Ele tem obrigação de não ter feito nada errado.
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