Inflação de setembro fura teto da meta e divide o mercado sobre os rumos da Selic
A inflação de setembro avançou 0,82%, acima das expectativas, e reverteu a deflação do mês anterior, levando o acumulado de 12 meses a 4,58%, rompendo o teto da meta, de 4,5%.
Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ( IPCA ), divulgados nesta sexta-feira (16).
Segundo os economistas, houve uma piora qualitativa do indicador, marcada pela aceleração nos núcleos de inflação e pela resiliência nos preços do setor de serviços .
Isso fez com que parte do mercado se dividisse sobre a análise dos rumos da política monetária, que está em uma tendência de corte de juros.
Leia também: Taxas do Tesouro Direto caem mesmo com IPCA de setembro acima do esperado Enquanto parte dos analistas defende a continuidade dos cortes da taxa Selic, baseada no alívio do câmbio e em sinais de desaceleração da economia, uma outra ala já avalia que as pressões inflacionárias exigem uma pausa no ciclo de afrouxamento.
“As perspectivas permanecem sob pressão: a inflação de serviços deve continuar resiliente dado o mercado de trabalho aquecido, os preços de alimentos devem manter-se pressionados pelo fenômeno El Niño, e os preços do petróleo próximos a US$ 100 o barril adicionam pressão sobre os reajustes de combustíveis, bens industriais e tarifas aéreas”, avalia a XP.
Para o Goldman Sachs, a conjuntura deixa pouco espaço para o corte de juros no curto prazo, e a recomendação é de uma cautela adicional.
Agosto (%) Setembro (%) Índice Geral -0,32 0,82 Alimentação e bebidas -0,34 0,83 Habitação -1,87 2,31 Artigos de residência 0,64 0,27 Vestuário 0,12 0,71 Transportes -0,86 0,89 Saúde e cuidados pessoais 0,23 0,08 Despesas pessoais 1,3 0,26 Educação 0,47 0,04 Comunicação -0,09 0,64 Fonte: IBGE O que puxou a alta do IPCA de setembro A elevação de 0,82% no mês veio acima das projeções medianas do mercado, que estavam em torno de 0,76%.
A principal força do avanço foi o grupo Habitação , que registrou alta de 2,31% no período, puxado pela energia elétrica residencial , que avançou 7,98% após o fim do Bônus de Itaipu , que havia derrubado artificialmente as contas em agosto.
Em paralelo, fatores climáticos como a seca, as queimadas e os reflexos iniciais do fenômeno El Niño atingiram a oferta agrícola e pesaram sobre o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha de três meses consecutivos de queda.
Os choques mais severos ocorreram nos alimentos in natura , com o preço do tomate subindo 37,76% , seguido pela batata-inglesa (24,07%) e pela cebola (10,14%) .
O cenário de preços voláteis foi agravado pelos combustíveis, setor no qual a gasolina subiu 1,21% e o etanol encareceu 3,16%, frustrando as expectativas de queda.
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