Equilíbrio e 1º serviço: como Rybakina bateu Sabalenka na final do US Open
A vitória de Elena Rybakina neste sábado, em Nova York, sobre Aryna Sabalenka na final do US Open tem dois elementos-chave. Um técnico. O outro, mental. Falo de seu primeiro serviço - possivelmente o mais letal do circuito feminino - e de seu equilíbrio diante de uma rival forte, que lhe daria pouca margem para lapsos de concentração e/ou momentos de fragilidade emocional.
Sobre o saque: Rybakina nem sempre tem porcentagem alta no aproveitamento do primeiro serviço. Acertou apenas 47% deles ao longo da decisão. No primeiro set - que ela venceu - foram somente 27%. Um número pífio, que em 99,9% dos casos significaria derrota na parcial, especialmente contra uma oponente superagressiva como Sabalenka.
O que separa Elena do resto é o quanto ela vence quando esse saque entra. No primeiro set, 88% dos pontos. No segundo, 78%. No terceiro, pasmem, 100%. Enfiou dez primeiros saques, ganhou todos. E fechou a partida com um ace depois de cometer duas duplas faltas no game final. Sabalenka venceu apenas tries pontos com a devolução no set final do jogo.
Sobre o equilíbrio: sou o primeiro a fazer piada sobre as comemorações discretas de Rybakina e como a cazaque (nascida na Rússia) demonstra poucas emoções em seus jogos, mas quando essa estabilidade (que pode ser apenas externa em alguns instantes) é colocada em oposição aos altos e baixos emocionais de Sabalenka, temos uma diferença importante.
Elena fazia uma boa apresentação. Deixou escapar um gamezinho de saque no segundo set e viu-se forçada a jogar mais uma parcial. Sem margem para bobear novamente. Poderia ter iniciado o terceiro set impaciente, irritada ou ansiosa. Não foi o caso. Voltou à quadra jogando e comportando-se como antes. Agressiva, precisa, sacando ainda melhor. Foi perfeita em um momento delicadíssimo.
Sabalenka, por sua vez, foi o retrato do descontrole. Tinha os nervos à flor da pele. Vibrava demais após winners. Sofria demais após erros. Não conseguiu jogar com a mente clara o bastante para executar no alto nível que Rybakina exigia. Sucumbiu rapidamente, com duas quebras de saque e apenas três pontos vencidos com a devolução (e dois deles, lembremos, foram duplas faltas da cazaque).
Foi uma vitória não só do alto nível, mas também do equilíbrio de Rybakina.
- Como falo no Café Com o Cossenza (meu podcast diário) de hoje, não sou fã desse estilo mais teatral de alguns tenistas têm em quadra. É pura questão de preferência pessoal. Você, leitor, pode curtir. Não há drama aqui. No entanto, quando esse comportamento afeta o desempenho em quadra, há um problema. E é isto que Sabalenka vem vivendo este ano. A derrota em Roland Garros veio em condições semelhantes. Aryna nunca venceria uma final contra Rybakina - não a Rybakina deste sábado - oscilando tanto emocionalmente. Ouça o comentário completo no player acima.
- O título de Rybakina, que é seu terceiro slam, tem peso enorme no ranking mundial. Com os pontos conquistados em Nova York, Elena chega ao posto de número 1 do mundo com 2.026 pontos de vantagem pra Sabalenka.
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